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Cartum Faz Escola
 


Quando desenhar vira esporte

 

André Brown[1]

 

            Estudo os usos das linguagens desenhadas na educação. Atualmente, estou trabalhando em parceria com o colega de grupo de pesquisa, o professor de educação física Fernando Macedo, mestrando no ProPEd/UERJ. Ele está desenvolvendo sua dissertação a partir de suas memórias e observações relacionadas ao ensino de educação física na escola e a inserção do esporte como conteúdo curricular desta disciplina. Para tecer seu texto, o Fernando conta, também, com relatos de professores e alunos sobre as práticas esportivas, mostrando, também, algumas tensões sociais geradas por essas práticas no cotidiano escolar.

            O pesquisador escolheu, como uma das formas de linguagem para apresentar o seu trabalho acadêmico, as histórias em quadrinhos. Eu fui convidado por ele e seu orientador, o professor Paulo Sgarbi, para realizar os quadrinhos a partir das narrativas a serem incluídas e analisadas na dissertação.

 

            Para iniciar essa experiência, precisei fazer um mergulho nos textos da dissertação para, depois, criar desenhos para compor o trabalho acadêmico. Fiz a leitura de parte dos textos que pretendia transformar em desenhos, mas, como a dissertação estava ainda em processo de criação, precisei me envolver mais com o trabalho do professor Fernando enquanto ele produzia novos textos simultaneamente.

            As narrativas e entrevistas contidas na dissertação eram repletas de imagens e descrições de situações do cotidiano escolar, facilitando a minha tarefa de construir as histórias em quadrinhos.

            O mestrando me deu a pista (Ginzburg, 1989 p. 150) sobre como pretendia que fosse o resultado do trabalho sugerindo que os desenhos poderiam ser apenas esboços, pois o mais importante para ele seria mostrar uma idéia geral das situações narradas e não retratar fielmente as pessoas envolvidas.

            Esse trabalho conjunto gerou para mim uma oportunidade de aprendizado sobre as práticas esportivas na escola. Fernando, durante a elaboração do trabalho, me explicou detalhes que não conhecia do vôlei, sua especialidade, me mostrou fotos e vídeos sobre o assunto. Passei a entender um pouco das dificuldades enfrentadas por professores de educação física e seus alunos no cotidiano escolar.

            Fernando mostrou interesse pelas minhas maneiras de fazer (Certeau, 1994, p. 35) os desenhos e, apenas com a sua observação, começou a esboçar seus próprios desenhos e depois passou a criar os layouts[2] para que eu pudesse desenhar posteriormente, o que demonstra um processo de aprendizado do desenho e do planejamento de bandas desenhadas realizado pelo mestrando.

            Trazendo um pouco dessa experiência acadêmica para minhas práticas de ensino na escola, gostaria de proporcionar aos meus alunos oportunidades de aprendizado como essa que foi possível para nós dois em função do interesse mútuo e da necessidade de dar forma ao trabalho acadêmico em tempo predeterminado. O desafio que enfrento cotidianamente na escola é tornar as minhas aulas atrativas para os alunos a ponto de gerar o envolvimento deles no processo educativo. Para isso, tenho recorrido às linguagens desenhadas[3] para ensinar.

 

Referências Bibliográficas:

 

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano – artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

             

GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas e sinais. São Paulo, Companhia das Letras, 1989.



[1] André Brown é Cartunista, Mestre em Educação e membro do grupo de pesquisa Linguagens desenhadas e educação, coordenado pelo prof. dr. Paulo Sgarbi, ligado ao ProPEd / UERJ.

[2] A linguagem do layout, na produção de histórias em quadrinhos, engloba desenhos rápidos, planejamentos de espaços, utilização de letras e balões para organizar a página que será, posteriormente, arte-finalizada.

[3] Considero como linguagens desenhadas as histórias em quadrinhos, as ilustrações, caricaturas, charges, cartuns, desenhos animados, mangás e outras formas artísticas ou comunicacionais que utilizem o desenho..



Escrito por André Brown às 17h53
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Versão Mangá da Turma da Mônica

André Brown

A Turma da Mônica está ganhando uma nova versão em estilo Mangá, desta vez para atingir o público adolescente. A turminha em sua forma original já agradava a um público amplo, que como eu, diverte-se com os gibis da Mônica desde o início da década de 70. Quem foi leitor, na infância, da Turma da Mônica não resiste à leitura dos gibis mesmo que esteja, supostamente, comprando as revistinhas para os filhos. Tenho acompanhado as mudanças na criação e produção das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, a diversificação de desenhos, artes finais, colorização, formatos inovadores como o Gibizão e o Gibizinho.

Gostei do resultado da Turma da Mônica na Linguagem do Mangá, mesmo não parecendo ter ocorrido uma mudança muito radical no visual da Turma. Acredito que isso aconteça porque talvez já existisse uma influência do Mangá no trabalho do Maurício de Sousa, ele já estava antenado nisso há muito tempo, até mesmo pela sua amizade com o criador do mangá moderno Osamu Tezuka. Penso apenas que a tradicional turma no formato infantil não deva deixar de existir, caminhando junto com essa nova experiência da Turma da Mônica.

 



Escrito por André Brown às 21h04
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Estive hoje com o Dr. Eraldo Bulhões, Diretor de Comunicação do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SINMED-RJ), participando do Fórum Internacional Novos Paradigmas para a Integração Latino-Americana, evento de solidariedade a Cuba realizado na UFRJ. No evento fizemos uma manifestação de divulgação sobre a DENGUE, focando o ciclo da doença e seu tratamento. Aproveitamos a ocasião para levar ao público a criação do personagem LAJÊNIO idealizado pelo Dr. Bulhões e por mim desenhado.

Lajênio é o gênio das lajes, capaz de identificar os macro-focos da dengue, principalmente aqueles que se encontram sobre as lajes das habitações inacabadas, muito comuns nas comunidades do Rio de Janeiro. Estamos produzindo com esse personagem uma cartilha para difundir as informações sobre a ENDEMIA DE DENGUE que não são veiculadas pela mídia convencional.

Capa da Cartilha contra a Dengue

A nossa intenção com esse trabalho é ajudar a evitar o possível agravamento da endemia em 2009, com a chegada do vírus da Dengue 4.

 

 



Escrito por André Brown às 16h12
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Recebi a informação abaixo através de impresso entregue por membros da ACIT-Associação de Comércio e Indústria da Tijuca, Conselho gestor do Andaraí,Hospital Gaffrée e Guinle, Conselho de Saúde P22 e Região Administrativa da Tijuca.

(André Brown)

Convidamos esta instituição e suas lideranças para participar do ato

UNIÃO CONTRA A DENGUE

Com a presença do Ministro da Saúde José Gomes Temporão,
do Secretário de Estado de Saúde e Defesa Civil,
Sergio Cortes e os Secretários de Saúde Municipais das Regiões Metropolitanas.

 
Dia 04 de abril de 2008 - Sexta-Feira.
Horário: 14:00h às 18:00h
Local Teatro Odylo Costa Filho - UERJ.

A grave epidemia de dengue torna necessário uma urgente articulação entre o governo federal, o estadual, os municipais e a Sociedade Civil para enfrentar esta situação emergencial no Rio de Janeiro.
Nossos contatos para confirmação de participação e informações:
Claudia Beatriz Le Cocq (21) 9604-1385 / 9141-6418 / 3985-7505
claudia.lecocq@nerj.rj.saude.gov.br
simionesilva (61) 9223-6299 simione.silva@saude.gov.br

Será entregue para todas as instituições presentes neste encontro amplo material informativo para as mobilizações nas suas áreas.



Escrito por André Brown às 21h08
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Em tempos de epidemia de DENGUE, estou divulgando o sério trabalho do Dr. Eraldo Bulhões, diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, que luta por uma Sociedade Sanitária capaz de enfrentar o descaso das autoridades com a saúde da população. A informação é o melhor remédio contra a dengue e o crime sanitário. FEBRE = HEMOGRAMA! (André Brown)

Tirinha criada na Oficina de Desenho André Brown para a campanha contra a DENGUE e divulgada pelo Jornal Bem Forte com o apoio da Casa Cruz. Toda a sociedade deve se unir para combater a epidemia de DENGUE, focando na divulgação das informações corretas quanto ao tratamento da doença.


QUE VIVA A SOCIEDADE SANITÁRIA!
 
Se a Vigilância Sanitária está adormecida não sabemos, mas somente a
 vigilância sanitária não adianta. Carecemos de uma consciência geral:
 uma sociedade sanitária. Consciência essa que já vem crescendo em
 relação ao tabagismo, alcoolismo, a poluição, dengue, febre amarela,
 as doenças infecciosas, drogas etc.
 
Um dia "D" da dengue é insuficiente. No último que foi realizado um
 fato marcante foi a iniciativa do poder público em providenciar a
 retirada das carcaças de automóveis da Avenida Presidente Vargas, no
 Rio de Janeiro, e acabar com os macro-focos de Aedes aegypti nos
 ferros-velhos. Ficamos 60 anos sem o mosquito desde que o sanitarista
 Oswaldo Cruz acabou com os grandes focos existentes nas mini-caixas
 d'água (vasos de flores) dos cemitérios pondo areia nos recipientes.
 Naquela época, a população carente morava em barracões de zinco e
 neles as águas das chuvas não se acumulavam. Na década de 60, com as
 construções de alvenaria, a infestação recrudesceu em grande escala,
 principalmente pelo aumento da população e a aglomeração nas precárias
 habitações que acumulam as águas das chuvas em suas concavidades.
 O que o Aedes quer? Sangue humano, porque precisa de proteína humana
 para amadurecer o embrião do mosquito que contém o vírus.
 Os ovos ficam mais de 300 dias em local seco com o embrião aguardando
 as águas para eclodir numa temperatura de mais de 40º C. O mosquito
 não põe o ovo dentro da água, põe-no em local seco. Faz isso na caixa
 d'água, onde se forma um anel acima do nível da água, e nas lajes,
 local que habitualmente acumula água, formando até uma mancha
 esverdeada (limo). Esse ambiente reduz o ciclo biológico do
 transmissor da dengue de 12 para 8 dias.
 O Aedes quer água e sangue. A degradação das carcaças de automóveis,
 cujos assentos ficam impregnados com o odor dos seres humanos, atrai
 os mosquitos. Também as lajes, onde há objetos de todos os tipos e que
 acumulam água, são verdadeiros quintais abandonados que propiciam a
 proliferação de mosquitos. É necessário oferecer à população uma força
 tarefa para ajudar a retirar os entulhos, latas, latões e objetos que
 acumulam água nas lajes das habitações inacabadas.
 Quando teremos uma política para financiar a melhoria das 700 mil
 construções de alvenaria, lajes e habitações inacabadas no Rio de
 Janeiro? Isso poderia ser feito através de recursos do BNDES, com a
 implantação de captação de energia solar e com a economia propiciada
 de 30% dos custos da energia (água quente) e com a redução dos
 "gatos", na medida em que haja a regularização das instalações
 elétricas (Light). Também ajudaria utilizar o reservatório da água das
 chuvas para o uso de jardinagem e limpeza doméstica: a ecologia
 contemporânea contra o aquecimento global.
 A saída é essa. O governo deve fazer a sua parte e retirar a
 degradação, ajudando a recuperar as habitações inacabadas sem
 criminalizar a dona de casa, vista hoje como vilã, afinal, os
 moradores já tiraram as águas dos vasos e não têm pneus dentro de
 casa.
 As autoridades assumem uma postura autoritária ao tentar vender a
 idéia de que a população precisa fazer a sua parte. É preciso entender
 que a população paga impostos há anos e que, diante desse quadro, não
 deve esperar pela vigilância sanitária, pois está provado que ela é
 insuficiente. É importante a conscientização de todos para a
 necessidade de criarmos uma sociedade sanitária, que assuma o controle
 social também da vigilância sanitária.
 
 
  Atualmente a crise da saúde chegou aos mais elevados patamares da
 Medicina no capítulo da Propedêutica Médica e dos conceitos da Saúde
 Pública no que tange à definição de ingresso do paciente no Sistema de
 Atendimento, conceituado como Porta de Entrada. O conceito de Porta de
 Entrada não é simplesmente o registro da pessoa, até aí não podemos
 dizer que o paciente ingressou no Sistema. Os fundamentos da
 Propedêutica Médica nos levam à Porta de Entrada quando estabelecido o
 registro da pessoa, a anamnese (30 minutos), o exame físico (30
 minutos), a suspeita diagnóstica, os exames complementares, o
 diagnóstico e o prognóstico. Neste momento se consolida, do ponto de
 vista do atendimento, a conceituada Porta de Entrada do paciente no
 Sistema. A população não pode só assistir a esta situação sem se
 organizar em todos os níveis, desde o controle social, e
 principalmente na conscientização de todos os cidadãos por uma
 sociedade sanitária ativa. Diante da Síndrome do Esgotamento
 Profissional estamos assistindo à morte da Porta de Entrada, da
 anamnese, do exame físico, da suspeita diagnóstica, do diagnóstico e
 do prognóstico.
 Determinadas patologias como a dengue, meningite etc., se a Porta de
 Entrada não for pelos parâmetros da Propedêutica Médica, podem ser
 fatais, no caso da dengue, num período de 10 dias. A população deve
 conhecer a fundo a crise da saúde em todo o seu contexto e se
 conscientizar da importância da vigilância através da busca da
 sociedade sanitária, no trabalho, nas escolas e na comunidade.
 No Fórum Econômico Mundial em DAVOS, na Suíça foi premiado o
 cientista que criou o Aedes transgênico para competir através do
 controle biológico e eliminar o Aedes aegypti natural em médio prazo.
 A Sociedade Sanitária deve barrar esta experiência laboratorial
 transgênica, pois não se sabe as conseqüências futuras desta
 iniciativa.
 
  Em 1981 na epidemia de Dengue em Cuba (cepa 1 e 2)
 houve 146.000 internações, 24.000 casos de dengue hemorrágico, 10.000
 casos de síndrome do choque da dengue, 158 mortes, a maioria crianças.
 Essa epidemia é semelhante ao quadro que está ocorrendo no Rio. Não
 há inverno para dengue na cidade. A situação é grave, a perspectiva é
 de ter milhares de casos que podem até passar de 200 mortes sendo dois
 terços em criança. Nestes anos temos combatidos as orientações do
 município que orientam às pessoas com sangramento a acorrerem a um
 hospital em uma doença que mata em 10 dias, sem valorizar a febre.

 

 A nossa orientação é dar ênfase à febre. E na dengue a equação é: "febre
 é igual a hemograma >Plaquetas, hematócrito, vhs no 1º e 4º dias" e
 não dar alta após a febre, no que chamamos a curva da morte .Plaquetas
 abaixo de 50.000 hidratação venosa.
 Os meios de comunicação são vítimas da orientação
 oficial, e desconhecem que o mosquito não põe ovos em água parada
 mas em local seco, pois precisa de calor para a eclosão dos ovos onde,
 em seguida, o embrião cai na água. Isto faz grande diferença porque
 em uma laje os ovos são depositados nos locais aonde já teve água
 (mancha esverdeada) e fica aguardando por até 300 dias pelas chuvas.
 A miopia epidemiológica não enxerga esta situação e os macros focos
 continuam com milhões de ovos nas habitações inacabadas.
 
  Temos que fazer o PAC da dengue reformando as
 habitações inacabadas, verdadeiras mansardas do Aedes aegypti.
 
 
 
Rio de janeiro, 20 de fevereiro de 2008
 
 
Dr.Eraldo Bulhões Martins médico - clinico geral

Diretor do SinMed/RJ

ebulhoes01@ibest.com.br

 



Escrito por André Brown às 23h57
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Livro de Charges do Chico Caruso

André Brown

 

Comprei em uma banca de jornal da Tijuca o livro de charges do Chico Caruso intitulado 20 anos Chico O Globo – 1984 / 2004, que parece ter sido impresso na ocasião do 15º Salão Carioca de Humor que aconteceu em março de 2004. O livro apresenta excelente acabamento, com páginas em papel couché e capa envernizada, trazendo em seu conteúdo as charges do Chico desde quando eram criadas em traços de nanquim preto, e impressas nas páginas internas do jornal O Globo ainda no final da Ditadura Militar.

As charges reunidas no livro me lembraram da época em que as recortava do jornal O Globo arquivando-as em pastas para tê-las como referências imagéticas nas minhas aulas de desenho. Meus alunos gostavam de aprender a fazer charges e caricaturas consultando as charges do Chico. Esses meus recortes ficaram velhos e amarelados como costuma acontecer com o papel jornal. Agora uso os livros, os catálogos de salões / exposições e as imagens que consigo na Internet como fonte de consulta.

Da produção do Chico Caruso gosto especialmente das charges do período Collor, seqüência que acompanhei diariamente. Havia uma evidente indignação do artista presente naquelas charges que causava bastante impacto na opinião pública. Gostaria de rever aquela força nas charges atuais, apontando e denunciando a corrupção e o autoritarismo existentes nos últimos governos.

Quem quiser estudar aquele período da história recente do Brasil, encontrará nas charges do Chico Caruso uma excelente e bem humorada fonte de consulta. Algumas destas charges estão incluídas no livro que custa apenas R$ 5,00 (cinco reais!).

Escrito por André Brown às 18h57
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Quadrinhos contra a DENGUE

André Brown

Estou participando da campanha contra a DENGUE realizada pelo SinMed-RJ (Sindicato dos médicos do Rio de Janeiro), criando cartuns e quadrinhos que serão distribuídos na Escola e para a população em geral. A preocupação do sindicato além de informar o ciclo da doença, é alertar para o tratamento adequado. Segundo o Dr. Eraldo Bulhões, médico sanitarista especialista em dengue e diretor do SinMed-RJ, é importante fazer o hemograma completo, com a contagem de plaquetas no primeiro dia de febre para que se inicie o controle da queda das plaquetas, até o quarto dia de febre quando o exame deverá ser repetido. Não basta apenas fazer a sorologia como tem sido um procedimento médico recorrente em casos de dengue pois esse exame demora 15 dias para ficar pronto e a dengue pode matar em até 10 (dez) dias. Manter-se hidratado também é fundamental, desde o primeiro dia de febre, fazendo a ingestão, além de água, de líquidos como suco de laranja, água de coco, que ajudam na reposição de potássio. No caso da Dengue hemorrágica a hidratação é determinante para evitar o choque hipovolêmico que pode ocorrer a partir do quinto dia de febre, causando a morte. Essa informação é apenas um resumo de uma conversa que tive com o Dr. Eraldo Bulhões de três horas sobre a Dengue. Estamos criando meios de difundir a informação completa através de publicações e da imprensa.

primeira imagem criada para cartaz da nova campanha contra a dengue (SinMed-RJ). O texto poderá ser alterado.

Uma outra tática é a realização de palestras em escolas. O fato novo é que provavelmente o vírus IV esteja no Brasil, aumentando o risco de dengue hemorrágica. O foco mais provável são as construções onde existem lajes descobertas sem proteção de telhas e que acumulam água das chuvas. No Rio de Janeiro nos bairros do Méier e da Tijuca está ocorrendo maior incidência de casos de dengue.

Mais informações sobre a DENGUE:

SinMed-RJ (Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro)

Dr. Eraldo Bulhões

E-mail: ebulhoes01@ibest.com.br

 

 



Escrito por André Brown às 11h46
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Julierme e Rodolfo Zalla: História Geral em quadrinhos

 

André Brown

 

 

Ao alertar para uma leitura crítica das histórias em quadrinhos e seus usos em livros didáticos, Silva (1985) aponta para a ocorrência de um modismo que, em alguns casos, concorreu para a má utilização dos quadrinhos:

 

Como fator didático-pedagógico, os quadrinhos vêm assumindo importância nos livros escolares e se tornando mais um modismo no ensino como tantos outros instrumentos visuais destinados ao consumismo tecnológico.

Várias edições didáticas contém os quadrinhos como um recurso a mais á atração de crianças e docentes, já acostumados ao desenho animados da TV e às revistas em quadrinhos tradicionais. Nestas, ainda se observa a “preocupação” com um mínimo de estética, enquanto nos livros didáticos, com poucas exceções, impera o grotesco. (p.61)

 

Durante a minha vida estudantil encontrei bons livros didáticos com quadrinhos. Quando ainda me preparava para o concurso do CEFET-“CSF”- RJ[1], estudei História Geral em um livro repleto de quadrinhos. Naquela ocasião eu tinha me concentrado, inicialmente, em estudar as disciplinas exatas, muito exigidas naquele concurso. Como restava pouco tempo para ler todo o extenso conteúdo para a prova de História, eu precisava de algum recurso que me facilitasse o aprendizado daquela disciplina. Foi quando encontrei em casa, entre os livros de meus pais, o livro intitulado História Geral – História para a Escola Moderna, escrito por Julierme de Abreu e Castro[2] e quadrinizado por Rodolfo Zalla[3].

Os desenhos realistas de Rodolfo Zalla acrescentam movimento e cor ao texto objetivo de Julierme, transformando em aventura cada parte da história narrada em quadrinhos. Além disso as imagens mostram detalhes que enriquecem as narrativas como indumentárias, elementos arquitetônicos, embarcações, armas, paisagens, grupos étnicos e retratos desenhados de alguns personagens históricos.

No livro, não foi utilizada a linguagem dos balões, comum na organização dos diálogos nas histórias em quadrinhos. Os autores lançaram mão apenas das imagens e textos narrativos para contar os fatos históricos. Mesmo assim, a seqüência de imagens e a diagramação caracterizam a presença da arte dos quadrinhos na obra.

Uma parte do livro remonta a colonização espanhola na América do Sul, assunto abordado no concurso para qual estudei. Durante a realização da prova eu lembrava nitidamente das imagens dos quadrinhos e de seu conteúdo.

 

 

 

 

Somente agora, que estou pesquisando os usos dos quadrinhos na Educação soube que a obra quadrinizada de Julierme e Rodolfo Zalla foi considerada revolucionária na produção de livros didáticos.

(...)  “História do Brasil” , revolucionou o ensino mundial, sendo o primeiro livro do planeta de que se tem notícias, escrito em quadrinhos, exclusivo para ensino didático.

(...)Esse livro fez tanto sucesso, que por alguns anos foi adotado por cerca de oitenta por cento dos professores do Brasil, sendo exposto em bienais nos Estados Unidos, Europa e Japão.

(...) O grande artista  ilustrador, Rodolfo Zalla, que elaborava as capas e os desenhos de seus livros, as fazia com tanto carinho e profissionalismo, que eram verdadeiras obras de arte, exibindo personagens que pareciam “estarem vivos contando a sua própria história”.

( Disponível em <http://www.martinsinternacional.com/botucatu_a_terra_dos_bons_ares_CAPA.htm > acesso em 13/10/07.)

 

Referências Bibliográficas:

 

CASTRO, Julierme de Abreu e. História Geral – História para a escola moderna. São Paulo: IBEP, 1971.

 

SILVA, João Nelson. HQ nos livros didáticos. In: LUYTEN, Sonia M. Bibe (org.). Histórias em quadrinhos – leitura crítica. São Paulo: Edições Paulinas, 1985.



[1] Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – RJ

[2] Julierme de Abreu e Castro nasceu em Luís Burgo , município de Manhuaçu, estado de Minas Gerais, em 5 de setembro de 1931. Com a mãe mudou-se para o Rio de Janeiro. Após terminar os estudos primário e secundário no Colégio Baptista, formou-se bacharel  na Universidade do Brasil em Antropologia, Geologia, História e Geografia.

[3] Rodolfo Zalla é argentino de nascimento e vive no Brasil desde 1963. Desenhista, destacou-se na década de 1980 como editor de quadrinhos ao publicar periodicamente as revistas Calafrio e Mestres do Terror. Criou com Eugênio Colonnese, também desenhista, o Estúdio D-Arte que produzia desenhos para várias editoras. No Instituto Brasileiro de Ensino Pedagógico (IBEP), em São Paulo, iniciou uma revolução na produção de livros didáticos adotando a linguagem dos quadrinhos.



Escrito por André Brown às 18h59
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Oficina de Desenho André Brown & Alessandra Nogueira 

André Brown

 

 

Quando criei a Oficina de Desenho em parceria com a minha esposa, a Designer Alessandra Nogueira, eu já tinha alguns anos de experiência como professor de desenho / cartunista e já havia realizado oficinas em Instituições como a Casa de Leitura de Laranjeiras (Fundação Biblioteca Nacional), Biblioteca Infantil Carlos Alberto (BICA), Centro Cultural Paschoal Carlos Magno (Fundação de Arte de Niterói) entre outras.

O projeto inicial da Oficina de Desenho foi pensado para ser realizado em escolas, mas como inicialmente não tive retorno por parte dos diretores, procurei estruturar um espaço próprio para iniciar o trabalho. Isso aconteceu em 1998, e  eu estava começando o curso de Pedagogia na Faculdade de Educação da UERJ. Simultaneamente ia desenvolvendo as práticas de ensino da Oficina de Desenho e conhecendo as teorias dos pensadores da Educação, que muitas vezes identificava no meu cotidiano em sala de aula. Um exemplo disso são as aulas  passeio, defendidas por Celéstin Freinet como recurso pedagógico. Visitamos e realizamos aulas de desenho ao ar livre na Floresta da Tijuca, no Jardim Botânico, no Passeio Público, na Praça da República, na Quinta da Boavista e Jardim Zoológico.

 

Aula passeio com prática de desenho na Praça da República 

no Centro do Rio de Janeiro em 04/06/2000.

 

Incluímos acervo de livros artísticos e gibis nas salas de aula, que servem como fonte de consulta para os alunos. Além disso os gibis, por exemplo, são ferramentas para ensinar desenho e a linguagem dos quadrinhos, associando textos e imagens para compor narrativas.

A idéia de palavras geradoras, pensada e posta em prática por Paulo Freire para a alfabetização, usando palavras do cotidiano dos alunos, nos inspirou a utilizar o que chamo de imagens geradoras, como estímulo à criatividade para produção de novos desenhos pelos alunos da Oficina de Desenho.

Alunos de turmas heterogêneas interagem entre si, durante as aulas da Oficina, trocando conhecimentos enquanto realizam seus desenhos.

Nos quase dez anos de funcionamento da Oficina de Desenho André Brown & Alessandra Nogueira realizamos exposições de alunos, professores, artistas convidados, desenvolvemos projetos coletivos de criação de quadrinhos, incentivamos a publicação de jornais, fanzines, revistas, livros independentes e participamos ativamente de eventos, sempre promovendo a arte do desenho.

 

Saiba mais sobre a Oficina de Desenho:

www.oficinadedesenho.com.br



Escrito por André Brown às 16h33
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O mundo visto pelos quadrinhos

 

Pesquisador da UERJ e professor de desenho, André Brown defende as HQs como meio de ensino

 

Por Eduardo Maia

 

O universo dos quadrinhos atrai em todo o mundo uma legião de fãs. Dos mangás (os arrojados desenhos japoneses) aos quadrinhos underground, passando pelos super-heróis americanos e pelas revistinhas infantis brasileiras, para todos os tipos de histórias em quadrinhos há uma infinidade de leitores. Um desses aficionados é André Brown, professor de desenho na Tijuca e pesquisador na UERJ.

Ao lado da mulher, Alessandra Nogueira, Brown que é cartunista, dá aulas na sua oficina de desenho, na praça Saens Peña. Os alunos também tem acesso à parte de seu acervo de centenas de gibis raros, como almanaques brasileiros do início do século passado e compilações de mangás vindas diretamente do Japão.

– Atualmente, são os mangás que atraem a atenção da garotada, ocupando o lugar que na década passada era de histórias americanas, como dos X- Men. Mas o mais interessante é que os gibis nunca saem de moda ­– diz Brown.

 

Foto: Berg Silva

O cartunista e pesquisador André Brown com peças de sua

coleção de quadrinhos raros: de almanaques brasileiros do

início do século XX a mangás importados.

 

 

A paixão pelos quadrinhos se tornou algo tão sério que Brown dedicou ao tema a sua monografia de conclusão da faculdade de pedagogia. O estudo evoluiu e hoje ele participa de uma pesquisa na UERJ sobre o uso dos quadrinhos na Educação.

 

Foto: Berg Silva

Detalhes de trabalhos de alunos da Oficina de Desenho

André Brown & Alessandra Nogueira.

– Considero os quadrinhos um grande incentivo para as crianças e adolescentes. Há professores que usam com bastante sucesso histórias em quadrinhos como método complementar de ensino. Muitos Jovens se tornam leitores de livros depois de conhecerem os gibis. Eu mesmo sou um exemplo disso – afirma.

Fonte:

MAIA, Eduardo. O mundo visto pelos quadrinhos. O Globo Tijuca, 11.10.2007, p.12 -13.

 



Escrito por André Brown às 12h48
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O texto a seguir de Mayara de Lima Silva, aluna da nossa Oficina de Desenho André Brown, foi publicado no jornal da Instituição da qual somos parceiros, o IRS – Instituto Rogério Steinberg, A manifestação espontânea da nossa aluna Mayara é  para nós da Oficina de Desenho  motivo de alegria e estímulo para continuar com o trabalho na área de ensino de desenho.

 

André Brown e Alessandra Nogueira

www.oficinadedesenho.com.br 

 

 

Desenho é muito bom!

 

Mayara de Lima Silva

 

O curso de desenho que eu e a Greicy (minha colega) ganhamos pelo IRS  é bastante    interessante, pois ele faz com que eu desenvolva cada vez mais e mais o meu talento para o desenho.

O curso se situa na Tijuca, na Praça Saens Peña. A mãe da Greicy me leva e a minha mãe me busca, a viagem é longa, mas quando chega lá, compensa.

No André Brown tem a professora Alessandra Nogueira, que é bastante engraçada, carinhosa e que cada vez mais nos ensina mais técnicas de desenho. E a sua filhinha muito fofa e tão bonitinha mais parecida com o pai do que com a sua mãe. Ela é bebê e “assiste” as nossas aulas, brincando, é claro.

Os alunos de Alessandra são bastante interessantes e também falam muito e riem bastante juntos, porém são harmoniosos e convivem muito bem entre si.

Já fiz várias observações de objetos (olhar para o objeto e desenhá-lo), mas já passei desta fase, agora estou fazendo trabalhos com carvão.

 

 

Na minha primeira aula eu achei muito legal, fiquei bastante entusiasmada e fiz muitos desenhos. Quando cheguei em casa estava bem feliz com os meus trabalhos e fui mostrar para a minha mãe.

Ela se impressionava com cada desenho, e cada vez mais fui melhorando e agora estou muito avançada.

Estou gostando muito do curso de desenho do André Brown e espero que quando ficar mais velha ser uma desenhista profissional e agradecerei a todas as pessoas que me ajudaram a conquistar este sonho.

 

Fonte:

 

SILVA, Mayara de Lima. Desenho é muito bom! Jonal do IRS, n.49, jul 2007.



Escrito por André Brown às 15h47
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Mostra de cartum marca o início da Semana Nacional de Trânsito no Rio   


Tendo este ano como tema oficial O Jovem e o Trânsito, a Semana é comemorada em todo o país de 18 a 25 de setembro. No Rio, o Detran começou a marcar a data com a adesão de vários segmentos sociais e personalidades à campanha “Imprudência não!”, que prega a Mudança de Atitude no trânsito.

Unindo passado e presente, o Detran abriu o evento no dia 18 de setembro, no Rio Scenarium, casarão do século XIX situado no palco da boemia carioca, a Lapa, com a 1ª Mostra Detran de Cartum, que reúne pela primeira vez cartunistas em torno do tema. Desta forma, o grito de paz estará presente também em mais de 70 salas de cinema, em um Culto Ecumênico no Cristo Redentor, em um game na internet, nas salas de aula do ensino médio, entre outros. O Detran lança a mostra que reúne 27 gravuras, criadas por 23 cartunistas. Eles se engajaram na campanha “Imprudência não!” e cederam todo o talento para mostrar, de uma maneira bem humorada e crítica, o cotidiano do trânsito do estado. A exposição ficará em cartaz no Rio Scenarium até o final do mês. De 19 de setembro a 2 de outubro, estará também no Aeroporto Tom Jobim — terminal 2, setor doméstico — e, de 3 a 18 de outubro, ocupará a Central do Brasil. Fazem parte do time de craques da mostra: Adail, Alecrim, Alviño, Amorim, Lan, Miguel Paiva, Bruno Drummond, Aroeira, Latuff, Anderson, André Brown, André Dahmer, Arionauro, Carlos Hollanda, Dil Márcio, Fernando, Flamir, Jorge Neves, Leonardo, Guidacci, Mayrink, Nani e Ykenga. 

 

Foto: André Brown

 
André Brown com seu cartum no lançamento da

campanha IMPRUDÊNCIA NÃO ! (DETRAN-RJ).

 

Considerado uma das principais preocupações das organizações mundiais ligadas a direitos humanos, o jovem é, atualmente, tema de ações desenvolvidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS). "Muitos jovens, ao obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), têm a auto-confiança acentuada, acreditando que nada de ruim vai acontecer, o que pode ser bastante perigoso e até fatal", alerta o presidente do Detran Rio, Antonio Francisco Neto.

De acordo com especialistas, características específicas dessa fase, como a necessidade de auto-afirmação, competitividade e exibicionismo, em conjunto com a ingestão de bebida alcoólica, podem fazer do jovem um forte candidato ao maior grupo de risco de acidentados no trânsito. Dados do departamento de trânsito do estado reforçam ainda mais a necessidade de ações voltadas a esse público. Em 2006, foram registradas mais de 37 mil vítimas de acidentes de trânsito no estado do Rio, entre mortos e feridos. Desse total, 9 mil eram jovens com idade entre 15 e 29 anos. Entre janeiro de 2006 e março de 2007, pelo menos 670 pessoas na mesma faixa etária morreram em decorrência de acidentes nas estradas fluminenses.



Escrito por André Brown às 09h30
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Encontro com Mendez, Mestre do Traço 

 

 

 

André Brown

 

Comigo a paixão pelo desenho e pela caricatura começou cedo. Sempre fui fascinado pelas caricaturas que via na imprensa. Mesmo quando não lia as matérias dos jornais ficava olhando para aquelas caras engraçadas e distorcidas, e tentava reproduzi-las acreditando que os caricaturistas as tinham executado diretamente nas páginas do jornal. Como os meus desenhos na maioria das vezes não saíam bons, ficava a frustração e o desconhecimento das técnicas necessárias para fazer boas caricaturas. Até que um dia meus pais me deram de presente um pequeno livro intitulado Como Fazer Caricaturas, do caricaturista Mendez. Através de seu livro, Mendez foi meu primeiro mestre na arte da caricatura. O livro trazia vários exercícios de construção da figura humana sempre de uma forma bem-humorada, com um traço firme e preciso resultando em excelentes desenhos.  Aquele livro foi a chave que precisava para começar a fazer caricaturas de meus colegas e professores. Lembro-me de um rígido professor de matemática da escola técnica, o Guerra, que tomava de mim as caricaturas que fazia dele e me dava uma bronca cada vez que isso acontecia, mas guardava os meus desenhos na sua pasta. Uma vez, depois da aula, o flagrei rindo no corredor da escola com uma das caricaturas que tinha feito dele nas mãos.

Anos mais tarde, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o caricaturista Mendez em uma visita a sua casa, levado pelo caricaturista Zé Roberto. Nessa ocasião Mendez já estava com 89 anos e não desenhava mais. Falei para ele da importância do seu trabalho para me estimular a desenhar caricaturas e que eu utilizava o seu livro com os meus alunos de desenho. Com muito esforço ele então levantou-se de sua poltrona dirigindo-se até a sua mesa e autografou para mim um de seus livros Caricaturas e Caricaturados. Com dificuldade conseguiu escrever uma curta mensagem que para mim é bastante significativa, pois segundo a esposa do Mendez, Dona Emília, ele não tentava escrever ou desenhar há algum tempo por não se conformar com o tremor em sua mão. Acredito que tenha sido o último autógrafo de Mendez que faleceu aos 90 anos em dezembro de 1997.

 

Referências Bibliográficas:

MENDEZ, Mario. Como fazer caricaturas. Rio de Janeiro, Editora  Ediouro, 1979.

____________ . Caricaturas e caricaturados. Rio de Janeiro, Editora Ediouro,1986.



Escrito por André Brown às 16h50
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O Gibi Luana e sua turma

André Brown

 

 

A personagem de histórias em quadrinhos Luana surgiu na Bahia, em 2000, pelas mãos de seu criador, Aroldo Macedo, e do ilustrador Arthur Garcia. Luana, com seus cabelos trançados e com enfeites coloridos, vestida de capoeirista, toca um berimbau mágico, que tem o poder de levá-la a qualquer época ou lugar.

Suas histórias narram aventuras de seu cotidiano, na escola e com sua turma de amigos. Na revista da Luana, existe um espaço reservado para os causos contados por sua avó, que a remetem para as lendas e tradições africanas. A personagem está sempre ensinando às crianças que lêem seu gibi noções de ecologia, higiene e cidadania.

O gibi da Luana está estruturado com histórias curtas. Segundo o criador da personagem, quando iniciou o projeto dessa revista, já pensava em lançar produtos, como brinquedos e camisetas, que estão sendo divulgados em espaços reservados à publicidade na revista. Existe também o site oficial da personagem – <http://www.luana.com.br> – onde podemos conhecer um pouco de sua história e ter contato com outros produtos criados com sua imagem.

O autor Aroldo Macedo, consciente da importância pedagógica dos quadrinhos, utiliza-os como uma forma lúdica de ensinar para as crianças as culturas afro-descendentes. Conseguiu, durante algum tempo, distribuir nacionalmente as edições do gibi da Luana em bancas de jornais e, atualmente, vende suas revistas através da Internet. Uma outra forma que encontrou para levar os quadrinhos da Luana para os estudantes estão sendo as parcerias que têm realizado com secretarias de educação.

O autor/editor Aroldo Macedo deixou uma pista sobre a criação da Luana em seu site:

O Projeto LUANA foi concebido com a proposta clara de resgatar a auto-estima da criança negra através de diversos implementos audiovisuais tais como livros, CDs, vídeos, publicação de histórias em quadrinhos entre outros, bem como formular caminhos e discussões para todas as crianças de outras etnias sobre a cultura negra. (Projeto Luana. Disponível em: <http://ww.luana.com.br> Acesso em 06 dez. 2004)

A pequena coleção de revistas em quadrinhos Luana e sua turma chegou até a publicação número seis. As capas de cada revista mostram, em destaque, a personagem Luana. A capa do gibi n.º 1 traz outros elementos em sua composição: os personagens de sua turma em ação, representantes de várias etnias, circundando a protagonista afro-descendente, que está em primeiro plano, imersa em luz, de braços abertos, em um gesto simpático, que sugere estar apresentando a si, os seus amigos e a própria revista, simultaneamente.

A roupa de capoeirista de Luana e seu berimbau mágico são elementos que enriquecem a personagem, fazendo referência às culturas afro-brasileiras, além de associar a idéia de agilidade e destreza na arte da capoeira.

Quanto ao gibi de Luana, é subdividido em, pelo menos, duas histórias em quadrinhos principais e mais algumas seções como o Clubinho da Luana, que é a seção de cartas, onde encontramos opiniões, fotos e desenhos das crianças leitoras. Outras seções da revista são o editorial Papo Livre, Passatempos, páginas com campanhas educativas ou publicitárias e a seção de tiras, com histórias curtas, intitulada Luana e seu berimbau mágico. As duas histórias em quadrinhos principais de cada gibi de Luana tratam de temáticas diferentes. A primeira sempre é uma aventura ecológica, na qual Luana e seus amigos lutam contra o vilão Fumaça Mortal, que pretende poluir o planeta Terra, ajudado pelos seus cúmplices Bigode, Pescoço e Magrela. A outra parte da revista é a seção fixa, intitulada Causos da Vovó Josefa, com histórias em quadrinhos que narram as tradições africanas. As narrativas em quadrinhos iniciam com a vovó Josefa explicando onde se passa o causo que irá contar, identificando também o povo, como os Zulus, Wambebza, entre outros. Os Causos da Vovó Josefa terminam, na maior parte das vezes, com a imagem de Luana atenta, ao lado de sua avó, que conta as histórias que preservam tradições e valores que vieram com os povos africanos para o Brasil.

Percebendo que o gibi da Luana pode ser bastante útil para professores/professoras, que, atualmente, buscam textos e materiais para auxiliar nas escolas, como determina a Lei n.º 10.639 de 9 de janeiro de 2003, que altera a Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira, procurei saber do próprio autor alguns detalhes sobre a sua criação e as formas de acesso dos estudantes à sua obra. Seguem as perguntas que fiz para Aroldo Macedo, juntamente com as respostas:

1)      Quando e por que você percebeu a necessidade de criar a personagem de quadrinhos afro-descendente Luana? Se for possível, escreva um pouco sobre a sua motivação em criar Luana e suas histórias em quadrinhos.

O Projeto Luana foi criado em 2000, a partir de uma história que me contaram. Uma criança negra entrou em depressão porque queria ter o cabelo louro como o da Xuxa. A mãe, sem saber como resolver o problema, comprou uma peruca loura para a filha... Fiquei abalado com aquilo e comecei a observar que quase todas as apresentadoras de programas infantis são louras, o que causa um enorme fosso de identificação, não só para as crianças negras quanto para as morenas. Daí, foi um pulo para o primeiro livro Luana – a menina que viu o Brasil neném, para as revistas em quadrinhos Luana e sua turma e para o último livro, recém lançado, Luana e as sementes de Zumbi.

2)      A sua opção pela criação de Luana, a personagem protagonista das suas histórias, ser do sexo feminino teve algum objetivo específico?

De certa forma, sim, porque as mulheres são mais sensíveis e também porque a mulher negra está na base da pirâmide social. Assim, uma protagonista negra pode colaborar para uma elevação da auto-estima.

3)      Na sua infância, como leitor de quadrinhos, havia algum personagem de sua preferência? Algum deles tratava de questões relativas às culturas afro-descendentes?

Herói que tratava de questões raciais?(risos)... A Luana é a primeira heroína negra do Brasil, com pai, mãe, irmão e avó. Nem mesmo nos Estados Unidos tem uma heroína assim. Eu morei lá e posso atestar. Meus personagens de infância eram Luluzinha e Bolinha, Capitão Marvel, Mandrake e Fantasma.

4)      Nas revistas Luana e sua turma, a primeira história, geralmente, é uma aventura contra o personagem Fumaça Mortal. Depois, em outra parte da revista, os Causos da Vovó Josefa são histórias sobre as tradições africanas. Por que você optou por essa estrutura nas publicações das revistas?

A primeira história é basicamente de aventura e os Causos da Vovó Josefa são contos de situações e conflitos que as crianças vivem no cotidiano e que a Vovó Josefa tenta esclarecer, mas se remetendo às fábulas africanas.

São histórias ilustradas em formato de livro. Com esse formato, conseguimos trazer os pais mais próximos dos filhos, pois, se eles ainda não são alfabetizados, por exemplo, geralmente, pedem que os pais contem as histórias da Vovó Josefa para eles. Há mais aproximação, exatamente na questão racial ou próxima dela.

É muito importante ressaltar que as revistas da Luana não são somente para as crianças negras, até porque é necessário que as crianças de outras etnias entendam também esse outro universo.

5)      No espaço Clubinho da Luana, várias crianças enviam fotos e cartas relatando que se identificam com a personagem Luana e seus quadrinhos. Você criou também, na turminha da Luana, personagens de várias etnias. A receptividade com as histórias da Luana e sua turma é maior entre crianças afro-descendentes ou isso independe da etnia?

Independe, mas a identificação das crianças negras é muito forte. Tivemos um caso interessante em Tocantins (quando dávamos uma palestra sobre o projeto). Uma criança tipicamente da região, com cabelos lisos e tipo caboclo, depois que conheceu a Luana, dizia para todos que ela agora queria ser como a Luana... Queria inclusive ser chamada de Luana. Claro que isso não causou nenhum problema na menina, pois foi só naqueles dias que estávamos ali, mas, mesmo assim, é interessante para ilustrar que a criança em si não tem nenhum preconceito. Todo o preconceito é gerado na sociedade ou na própria família.

6)      Consegui comprar a coleção de revistas da Luana, em contato com você, através da Internet. Quais as possibilidades e dificuldades na distribuição das revistas da Luana para as bancas de jornais do Brasil?

No início do projeto, colocamos em bancas, mas, atualmente, vendemos através de alguns representantes em São Paulo, Brasília e Salvador. Chegamos à conclusão de que o projeto Luana é uma importante ferramenta na área de Educação. Então, hoje em dia, contatamos e desenvolvemos todo o projeto junto às Secretarias de Educação.

7)      Você acredita que exista algum tipo de barreira ou preconceito, no mercado editorial brasileiro, contra as histórias em quadrinhos de artistas afro-descendentes e suas culturas, dificultando o acesso do público a essas obras? Qual a sua opinião sobre o assunto?

Não, não existem barreiras para as histórias em quadrinhos. O que ocorre na, maioria das vezes, são os equívocos dos próprios artistas/criadores negros. Geralmente, mesmo alguns chargistas colocam os negros em situação de eternos sofredores de humilhações. Brancos discriminando negros, eternamente. Acredito que o caminho não seja esse... Acho que a grande aceitação da Luana se deve ao fato de ela ser apenas uma menina, linda, capoeirista e que tem um berimbau mágico (que é a parte lúdica) e que, por acaso, é negra...

Ela não fala, em nenhum momento, "Ai, coitadinha de mim, sou negra e discriminada...” ou "Olha só, sou negra e sou o máximo!”. Isso seria redundante e fora da nossa proposta.

 

A lei vigente estabelece o ensino das culturas afro-descendentes para todos os estudantes, independentemente de suas etnias. Os quadrinhos produzidos sobre essas culturas teriam um grupo bastante amplo de leitores, tornando necessária a impressão de grandes tiragens para distribuição nas escolas, disponibilizando o material para professores / professoras usarem como referência em suas aulas. Imagino que os quadrinhos afro-descendentes, criados por artistas, professores/professoras e estudantes, continuarão a ser um valioso instrumento contra o racismo e, também, na implementação de atividades para o ensino das culturas afro-descendentes, dentro e fora da escola.



Escrito por André Brown às 18h28
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Aprendendo História com Asterix

 

André Brown

 

A primeira vez que vi um álbum do Asterix foi em Nova Friburgo (RJ), na casa de um primo mais velho. Eu calculo que tivesse naquela época apenas 5 anos de idade e não era alfabetizado, mesmo assim, fiquei um bom tempo observando a capa e os quadrinhos coloridos no miolo da publicação.

Criado por René Goscinny e desenhado por Albert Uderzo para a revista francesa Pilote, Asterix, com seu excelente humor, se tornou em pouco tempo popularíssimo no mundo, sendo publicado em mais de 30 países.

A trama é simples: no ano 50 a.C., quase toda a Gália (o antigo nome da França) foi ocupada pelas legiões romanas de Júlio César. No entanto, uma pequena aldeia na Armórica (noroeste da França), onde mora Asterix, resiste milagrosamente às investidas do exército de Roma, acampado em quatro fortificações que a circundam – Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum. O milagre se deve à poção mágica inventada pelo druida (sacerdote) gaulês Panoramix. Ela confere força sobre-humana aos guerreiros da aldeia, que conseguem assim derrotar sucessivas vezes as apatetadas tropas inimigas. (VALVERDE, 1994)

 

O meu reencontro com os quadrinhos do Asterix aconteceu aos 12 anos de idade quando cursava a 6ª série. Nessa época, últimos anos da ditadura militar, eu era um aluno desinteressado pelas aulas de História. Não me  sentia estimulado a decorar todas aquelas datas e vultos históricos.