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Cartum Faz Escola
 


TESTE DE HABILIDADE ESPECÍFICA NO VESTIBULAR: É HORA DE DESENHAR

 

O Teste de Habilidade Específica (T.H.E.) é uma avaliação que pode reprovar e impedir que os candidatos ingressem nas carreiras escolhidas nos vestibulares da UFRJ, UFF, UNIRIO e PUC-RJ, nas áreas de Arquitetura, Desenho Industrial / Programação Visual (Design), Belas Artes, Cenografia, Licenciaturas em Arte ou Desenho.

 

 

 

A Designer Alessandra Nogueira (ESDI-UERJ) orientando seus alunos na Oficina de Desenho.

 

 

 

Um bom caminho para os candidatos é começar o quanto antes a prática de desenho e a resolução de questões de provas dos anos anteriores nos cursos  que oferecem o preparatório para os Testes de Habilidade Específica.

A Oficina de Desenho André Brown & Alessandra Nogueira, por exemplo, tem a experiência de mais de uma década preparando e aprovando praticamente 100% de seus alunos nos vestibulares (T.H.Es).

Mais informações sobre a Oficina de Desenho e o curso preparatório para os T.H.E.s:

e-mail: oficinadedesenho@uol.com.br

tel: (21) 2570 - 0132



Escrito por André Brown às 11h51
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Uma pena que parou

 

André Brown

foto: Zé Roberto

 

Faleceu no dia 15/04/2009, aos 37 anos, o cartunista, ilustrador, animador e professor de desenho Adilson Miguel Mendonça em decorrência de Tuberculose Linfática. Foi sepultado no dia seguinte no cemitério de Vila Rosali em São João de Meriti-RJ.

          Conheci o Adilson e tornei-me seu amigo em 1994 quando foi integrar a equipe de professores do curso de desenho onde eu trabalhava. Desde o início percebi que se tratava de um grande talento do desenho, além disso, apesar das adversidades que enfrentava no seu cotidiano de jovem artista, era bem-humorado, fazendo sempre piadas das próprias dificuldades.

          Adilson era dono de uma maneira muito pessoal de desenhar, com excelente arte-final feita a bico de pena de ponta torta que só ele sabia usar com destreza. Todos nós desenhistas a sua volta ficávamos olhando, e algumas vezes tentando reproduzir sua técnica e velocidade, sem conseguirmos êxito. Foi aluno do cartunista Zé Roberto no SENAC.

 

Foto: Zé Roberto

Da esquerda para direita a caricaturista Laurelice, os cartunistas Adilson, André Brown e

Origenes da Costa Júnior no lançamento do jornal A Graúna, em 20 de julho de 1995, na

Sala Raul Seixas / FUNIARTE (Campo de São Bento - Niterói - RJ). 

 

 

 

Participamos de exposições coletivas, de publicações alternativas. Junto com o Zé Roberto e outros artistas do lápis fizemos o jornal A Graúna, título homônimo ao conhecido personagem do Henfil.

Adilson aprendeu animação na Intervalo com o Diretor de Animação Levi Luz e se dedicou a essa área, desenvolvendo personagens e vinhetas animadas para TV.

          Depois trabalhamos mais uma vez em uma pequena equipe de desenho liderada pelo então desenhista e atual Diretor de Animação Clewerson Saremba. Participou dessa equipe também o animador Paulo Luna que foi aluno do Adilson.

          Nos últimos sete anos Adilson era ilustrador da Editora Betel, onde criava desenhos para revistas e livros infantis de cunho evangélico.

          Infelizmente Adilson não teve o reconhecimento do grande público, o que não faz sua arte menor. Os desenhos do Adilson mereceram elogios do cartunista Maurício de Sousa, sua principal influência entre os cartunistas, durante a 2ª Bienal Internacional de Quadrinhos no Rio de Janeiro, nesta ocasião teve um exemplar de revista de coleção nº1 da Turma da Mônica autografada pelo mestre dos quadrinhos brasileiros.

Reproduzo aqui, como uma singela homenagem ao amigo Adilson, dois de seus cartuns do Reino de Tel, principal turma de personagens do cartunista, publicadas no jornal A Graúna em 1995.



Escrito por André Brown às 20h31
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“ABI — 100 anos de luta pela liberdade”

É o tema da exposição que reúne a arte de grandes cartunistas, em celebração ao centenário da Associação Brasileira de Imprensa. A mostra será franqueada ao público no dia 18 de março, no Centro Cultural da Justiça Federal (Avenida Rio Branco, 241, Centro do Rio).
A noite da abertura, 17 de março, às 19 horas, contará com a apresentação do grupo musical formado por Chico e Paulo Caruso, Aroeira e Luiz Fernando Veríssimo, que virá especialmente de Porto Alegre para o show.


Entre os artistas que participam do evento estão Adail, Airon, Alvino, Amorim, André Brown, Arionauro, Aroeira, Bruno Drummond, Chico Caruso, Chiquinha, Cruz, Daniel Mendes, Deivid, Eduardo Caldari, Gilmar, Guidacci, Guto Lins, Hemetério, Izidro, Jaguar, João, J.Bosco, Marcelo Monteiro, Marguerita, Marta Strauch, Maurício Veneza, Nani, Nei Lima, Paulo Caruso, Ray Costa, Spacca, Veríssimo, Ykenga, Zé Roberto e Ziraldo.

Zé Roberto (Cartunista e Curador da exposição) http://www.zerobertograuna.blogspot.com/



Escrito por André Brown às 19h13
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Estúdio de quadrinhos na UERJ

Foram iniciados no dia 18/02/2009 os trabalhos do estúdio de quadrinhos criado pelo Grupo de Pesquisa Linguagens Desenhadas e Educação (ProPEd / UERJ). No primeiro dia de funcionamento do estúdio estiveram presentes desenhando André Brown, Roberto Hollanda e Ronaldo Silva, todos membros do grupo de pesquisa.

O processo criativo partiu de uma idéia para uma primeira história em quadrinhos de ficção científica sobre usos de tecnologias e controle social. A linha de trabalho do estúdio privilegiará a criação de histórias em quadrinhos, charges, ilustrações com diversos temas e que possam servir também como recurso pedagógico.

O Grupo de Pesquisa  Linguagens Desenhadas e Educação é coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Sgarbi no ProPEd - UERJ.



Escrito por André Brown às 12h08
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Revista para quem pesquisa histórias em quadrinhos

 

Está nas bancas a revista Discutindo Literatura n°5 ­- Especial Quadrinhos da editora Escala Educacional. A publicação traz na capa foto de Ziraldo ao lado de seu personagem Menino Maluquinho indicando a impactante entrevista feita por Heitor Pitombo com o cartunista/escritor que fala de sua carreira artística expondo idéias sobre Educação e a sociedade brasileira. Ziraldo chega a afirmar que

 

(...) As autoridades deveriam parar todo o ensino fundamental e ensinar as pessoas a ler, escrever e fazer as quatro operações. (...) Um povo que lê sabe escolher melhor, sabe reivindicar melhor. Por isso eu falo e insisto: a questão da leitura no Brasil é emergencial. Temos 90% de analfabetos funcionais. (p.54)

 

A revista contém artigos diversos sobre as histórias em quadrinhos. Destaco o texto intitulado O uso das histórias em quadrinhos como recurso pedagógico da Prof.ª Maria Cecília Amaral , enriquecedor para quem pretende conhecer um pouco mais sobre algumas  relações possíveis entre quadrinhos e Educação. Vale conferir: um exemplar da revista custa apenas R$ 7,90.

A seguir relaciono os títulos dos demais artigos que integram a revista indicando seus respectivos autores:

 

- Literatura e Quadrinhos - Uma relação onde não existe crise

Heitor Pitombo

 

- Os Bastidores da Literatura Desenhada

Jô Fevereiro e Francisco Vilachã

 

- Os Filhos da Ditadura

Marcelo Naranjo

 

- A Maturidade dos Quadrinhos Atuais

Claudio Martini

 

- O Panorama Mundial das HQ

Marco Ajdaric

 

- Edgard Allan Poe em Quadrinhos

Worney Almeida de Souza

 

- Literatura Desenhada

Júlio Schneider

 

- A Revolução Inglesa

Heitor Pitombo

 

- O Brasil foi o primeiro país a valorizar a cultura dos quadrinhos

Álvaro de Moyá

 

- O senhor dos Quadrinhos

Franco de Rosa

 

- Glossário

Franco de Rosa



Escrito por André Brown às 23h25
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Foucault não ia à minha escola, mas mandava representantes

Winston Sacramento

Mestre em Educação pela Puc-RJ

The Wall, clássico da banda de rock inglês Pink Floyd, é o que salta de meu museu de imagens. A cena que imortalizou o clichê mais outsider do cinema, onde crianças ateiam fogo a uma escola parece realizar-se, como profecia.
Nunca quis atear fogo à escola, embora, vez ou outra, tramasse em segredo contra alguns professores, além de um punhado de diretores e inspetores.
Esse texto procura tratar de alguma de minhas lembranças escolares, a partir de postulações de Foucault presentes em "Vigiar e punir".
O ano é o longínquo 1977, eu acabara de chegar à primeira série primária. Agora, eu, de fato, iria começar a estudar - me diziam. Entre as novidades pedagógicas daquele ano, estava a lista que a professora elaborava, ao longo do dia, com o nome daqueles alunos criadores de caso, bagunceiros, mal criados. Se, ao final do dia, o aluno permanecesse com o nome na lista, seria punido com deveres de casa extras e recados para os pais no caderno. No caso de se levar bilhete para casa, a coisa complicava, pois era quase certo que alguns tapas e puxões de orelha iriam fazer parte da reprimenda doméstica. O que determinava se um nome permaneceria até o final do dia na lista era o comportamento após ter sido incluído nela. Havia certo requinte na organização daquela lista. Se, depois de ser incluído nela, o aluno continuasse a fazer bagunça, seu nome era acrescido de uma cruz, isso tornava a absolvição mais complicada, pois primeiro ele precisaria livrar-se daquela cruz para, só então, limpar o nome da lista.
Foucault aponta o movimento de reorganização do ensino elementar de meados do séc. XVIII como um momento privilegiado para o desenvolvimento da vigilância hierárquica nas escolas. Para ajudar o mestre, Batencour escolhe, entre os melhores alunos, toda uma série de "oficiais", intendentes, observadores, monitores, repetidores, recitadores de orações, oficiais de escrita, recebedores de tinta, capelães e visitadores. Os papéis, assim definidos são de duas ordens: uns correspondem a tarefas materiais; outros são da ordem da fiscalização: "os 'observadores' devem anotar quem sai do banco, quem conversa, quem não tem o terço ou o livro de orações, quem se comporta mal na missa, quem comete alguma imodéstia, conversa ou grita na rua (...)"
Mais de dois séculos separavam a minha turma das escolas relatadas por Foucault, o que não me impediu de conhecer os tais "observadores" e seus congêneres.
Invariavelmente, a professora delegava funções muito semelhantes às descritas por Foucault aos melhores alunos, ou melhor, às meninas mais bem comportadas. Bastava que ela saísse da sala por algum motivo para que a escolhida exercesse o poder com toques de sadismo e perversidade. Era nessas ocasiões que havia o revide de todas as sacanagens de que eram alvo aquelas gurias. Puxões de cabelo, filas furadas na hora do recreio, boladas, mochilas escondidas, entre outras coisas, seriam vingadas naquela lista. Qualquer coisa era motivo para entrar na lista.
- Levantou para fazer ponta no lápis? Já botei seu nome na lista!
- Olhou para trás? Vou botar uma cruz no seu nome!
- Falou alguma coisa com o colega da frente? Mais uma cruz!
Por mais de uma vez, a lista foi entregue à professora com nomes tão cheios de cruzes que seriam necessárias algumas 'reencarnações' para limpar a barra daqueles coitados. Além da responsável oficial, sempre surgiam mais duas ou três que se autonomeavam para a função de "observadoras", o que inviabilizava a possibilidade das listas, já que, no final das contas, cada uma tinha a sua lista e, por conta disso, a turma toda acabava fazendo parte dela. Por fim, alguns alunos faziam uso da "ocasião" e incitavam as meninas umas contra as outras, de tal forma que elas eram incluídas nas listas de suas respectivas rivais. O resumo da ópera é que ninguém, nem mesmo a professora, conseguia entender ou dar razão a nenhuma delas e as listas por completo acabavam sendo dispensadas.
Para Foucault, a punição disciplinar é parte de um sistema que opera a partir do binômio gratificação/sanção. Tem-se aí a matriz para o processo de treinamento e correção: "a divisão segundo as classificações ou os graus tem um duplo papel: marcar os desvios, hierarquizar as qualidades, as competências e as aptidões; mas também castigar e recompensar. A disciplina recompensa unicamente pelo jogo das promoções que permitem hierarquias e lugares; pune rebaixando e degradando. O próprio sistema de classificação vale com recompensa ou punição."
Até que ponto essas histórias guardam relação com a lógica de Foucault em "Vigiar e punir" eu não sei, mas é certo que foram impactantes o suficiente para que eu as pudesse guardar até aqui.

Fiz esse desenho para ilustrar o texto acima de  Winston Sacramento,

na coluna do nosso grupo de pesquisa Linguagens Desenhadas e educação

coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Sgarbi.

O texto e a imagem foram publicados originalmente

no Jornal A Página da Educação Nº 184 (Portugal).



Escrito por André Brown às 01h17
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4º ENCONTRO ANUAL DOS CARTUNISTAS

O evento organizado pelo cartunista Ferreth e a Confraria do Peru Sadio, aconteceu no dia 06/12/2008 no Sindicato do Chopp, localizado no bairro do Leme (RJ). O cartunista homenageado deste ano foi o Nani.

 foto: André Brown

 

Nani recebendo uma placa de homenagem do Ferreth.

Outros artistas do traço compareceram ao encontro expondo seus trabalhos, charges, cartuns e caricaturas. Estiveram presentes, Agner, André Brown, Aviz, Chico Caruso, Ediel , Edra, Ferreth, Guidacci, Johandson, Léo Martins, Luimar, Ney Lima, Rê, Souza, Ykenga, Zé Roberto.



Escrito por André Brown às 18h15
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Fazendo quadrinhos sobre História e Culturas Afro-brasileiras na Escola

Para fazer esta história em quadrinhos, o primeiro passo foi realizar oficinas de desenho com os alunos do oitavo ano. A proposta foi trabalhar com os conteúdos de História do Brasil já abordados em sala de aula. Procurei mostrar durante o processo criativo dos alunos algumas maneiras de fazer personagens de histórias em quadrinhos e seus movimentos no quadro de giz. Como referência durante as oficinas foi exibido também o filme Quilombo de Cacá Diegues. A criação partiu das imagens, contando também como fonte de consulta com o livro "O Engenho Colonial" de Luiz Alexandre de Teixeira Júnior, da Editora Ática que contém belos desenhos do ilustrador Negreiros.



Escrito por André Brown às 10h52
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90 ANOS

INSURREIÇÃO ANARQUISTA NO RIO DE JANEIRO 1918 – 2008

 

 

Seminário

 

Dia 19 de novembro de 2008

De 9h às 18h

IFCS/UFRJ, Sala Evaristo de Moraes Filho (109).

 

Convidados

 

Milton Lopes (NPMC)

Sérgio Mesquita (NPMC)

Marcos Santana (AMORJ/GEA/PPGHC)

Carlos Augusto Addor (NEC/UFF)

Alexandre Samis (GEA)

 

Realização: AMORJ, NPMC e GEA

amorj@ifcs.ufrj.br – 9404-5235

npmc@riseup.net

 

Apoio CIRA/BR e Editora Achiamé

 

Evento com certificado aos participantes.

 

Programação

 

9:00h – Inscrições

 

9:30h – Abertura

( Mesa coordenada por Rafael Viana – NPMC )

 

9:50h – Milton Lopes                                       

“Movimento Anarquista no Rio de Janeiro em 1918

 

10:30h – Sérgio Mesquita

“Insurreição anarquista em Magé”

 

11:10h – Debate

 

12:00 – Intervalo

 

13:30h – Marcos Santana

“Imprensa Anarquista no Rio de Janeiro”

 

14:10h – Carlos Augusto Addor

“A insurreição anarquista no Rio de Janeiro”

 

14:50h – Alexandre Samis

“Anarquismo e repressão em 1918”

 

15:30h – Debate

 

16:30h - Filme



Escrito por André Brown às 16h33
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Entrevista com André Brown, sobre Fanzines, realizada pela pesquisadora Melissa Eloá que é Mestranda em Educação e componente do grupo de pesquisa Linguagens Desenhadas e Educação ( coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Sgarbi  no PROPEd / UERJ ).

 

1) Qual a sua preferência, o fanzine de papel ou a mídia eletrônica?

 R: Atualmente prefiro a mídia eletrônica, criando blogs, pelos recursos que ela oferece, pela facilidade de divulgação e o baixo custo.

 

2) Utiliza a mídia eletrônica, através de e-zines, sites, fotologs, blogs, Orkut? Especificar.

R: Utilizo sites e blogs.

 

3) Quais as diferenças e semelhanças entre a mídia eletrônica e  o fanzine de papel?

R; Vejo semelhança na liberdade editorial.  Nos fanzines como nos blogs, posso incluir qualquer tipo de informação de meu interesse sem passar pela avaliação de um editor. A diferença está na facilidade de divulgação e qualidade visual. Nos fanzines havia certa dificuldade na reprodução de imagens devido aos processos limitados de impressão, na maioria das vezes realizadas em copiadoras (reprografia). Outra limitação era a tiragem, um número reduzido de exemplares para distribuição em função da falta de dinheiro para grandes tiragens.

 

4) A linguagem utilizada no fanzine de papel e na mídia eletrônica é a mesma? Explique como.

R: Penso que não. Os fanzines eram feitos de forma artesanal, o que permitia uma total liberdade na diagramação e organização (ou desorganização) das páginas. Imagens e textos se misturavam de forma anárquica. Eu ainda não consigo fazer isso nos blogs, provavelmente por causa das minhas limitações com a estrutura visual deles. Posso estar enganado, mas percebo que grande parte dos blogs que conheço tende a ter uma organização maior que a dos fanzines.

 

5) A Internet com tantas novidades supera as expectativas de leitores e autores de fanzines de papel?

R: Acho que não. Mesmo que exista um fascínio pela Internet como espaço para difusão de idéias, os fanzineiros já tinham uma cultura visual antes da existência da Internet. O fanzineiro sabe que tipo de recursos pode obter na criação de fanzines. Quanto às possibilidades da Internet, acredito que os fanzineiros que hoje a utilizam, percebam que nela são possíveis outras formas de expressão. Fanzine e Internet permitem linguagens distintas que oferecem resultados também diferentes.

 

6) O alcance da mídia eletrônica é maior? Como mensurá-lo?

R: O alcance da Internet sem dúvida é maior. Em meu blog, por exemplo, em seu contador de visitantes em um período curto, mais de 10.000 visitas foram registradas. Caso eu fizesse um fanzine com o mesmo conteúdo dificilmente eu iria imprimir mais de 1000 exemplares.

 

7)Quais as interferências causadas pela mídia eletrônica no fanzine de papel?

R: Percebo hoje uma diminuição do número de fanzines, e também uma influência da programação visual da Internet em publicações impressas, não só nos fanzines. É possível encontrar elementos visuais típicos da Internet em revistas, livros, publicidade e em mídias eletrônicas como a TV.

 

8)O que o fanzine de papel representa para você neste cenário de avanço tecnológico?

R: Hoje acho mais prático fazer minhas brincadeiras editoriais na Internet, mas reconheço que fazer fanzines permite outras experiências artísticas e na área de comunicação. Existe um prazer na feitura dos fanzines diferente da produção de blogs ou sites. Existe uma dimensão lúdica na criação e no ato de fazer o fanzine, muito parecido com a produção de jornais estudantis. Acho interessantes os usos de fanzines por professores e alunos na escola, tal qual Freinet experimentou com a imprensa escolar em sala de aula. Pra mim, hoje, a grande possibilidade dos fanzines seria trabalhar com os estudantes, cada um com a sua habilidade, seja na criação de imagens ou tessituras de textos. A utilização da  Internet não vai acabar com os fanzines. Já tive a oportunidade de ler fanzines que divulgam seus próprios sites, como uma pequena mostra do conteúdo lá divulgado.

 

9) Que período publicou fanzines de papel? (Especificar década).

R: No início da década de 90.

 

10) Como confeccionava? (material, xerox, etc).

R: Xerox e impressão em máquinas rotativas em gráficas de jornais, nesse último caso em formato tablóide.

 

11) Como divulgava o fanzine?

R: Distribuía pessoalmente em eventos, cursos de desenho, escolas e em alguns pontos fixos como gibiterias e espaços culturais.

 

12) Qual era o estilo do fanzine?

R: O primeiro, o Buuumm!!! HQ era a produção de quadrinhos de um grupo de cartunistas no qual eu me incluía. O segundo era um tablóide em homenagem ao cartunista Henfil e seu personagem A Graúna , que se tornou o nome da publicação.

 

Capa do Fanzine BUUUMM!! HQ, Nº 1

criado e publicado em 1993 no Rio de Janeiro.

 

 

 

13) O que o fanzine representou para você?

R: Os fanzines foram os meus primeiros espaços para publicação dos meus desenhos. Antes dos fanzines eu desenhava e guardava os meus trabalhos na gaveta, numa pasta ou algo parecido. A sensação de ter meus desenhos circulando consegui com os fanzines, recebendo o retorno dos leitores através de cartas ou pessoalmente. Dicas e críticas ao meu trabalho, também por parte de profissionais do desenho só foram possíveis a partir dessas primeiras publicações, o que me permitiu dar um salto de qualidade em meus desenhos.

 

14) A linguagem utilizada nos fanzines sofreu alguma modificação com a internet?

R: Acho que sim. A Internet mudou a relação que tínhamos com a linguagem visual, surgiram com ela outras maneiras de organizar a informação.

 

15) Por que não faz mais fanzine?

R: Por falta de oportunidade. Tenho estado mais facilmente diante de um computador trabalhando, e nos espaços de tempo aproveito essa ferramenta para me expressar em meus blogs ou sites. Não descarto a idéia de fazer um fanzine qualquer dia desses, caso eu sinta a necessidade disso.

 

16) Na atualidade, trabalha com algo relacionado ao que divulgava nos fanzines?

R: Comecei a minha vida profissional com desenho artístico por causa dos fanzines. Antes eu trabalhava como desenhista projetista técnico mecânico em uma fábrica, e me divertia desenhando meus personagens e caricaturas. Quando comecei a expor meus desenhos em fanzines, começaram a surgir as oportunidades de publicação em revistas e jornais. Hoje não tenho publicado tanto como eu gostaria, mas continuo trabalhando com desenho, só que agora uso essa linguagem na área de Educação, nas minhas aulas nas escolas onde trabalho. Uso também na campanha, na qual sou voluntário, contra a Dengue, em parceria com o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SINMED/RJ)).



Escrito por André Brown às 16h13
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Quando desenhar vira esporte

 

André Brown[1]

 

            Estudo os usos das linguagens desenhadas na educação. Atualmente, estou trabalhando em parceria com o colega de grupo de pesquisa, o professor de educação física Fernando Macedo, mestrando no ProPEd/UERJ. Ele está desenvolvendo sua dissertação a partir de suas memórias e observações relacionadas ao ensino de educação física na escola e a inserção do esporte como conteúdo curricular desta disciplina. Para tecer seu texto, o Fernando conta, também, com relatos de professores e alunos sobre as práticas esportivas, mostrando, também, algumas tensões sociais geradas por essas práticas no cotidiano escolar.

            O pesquisador escolheu, como uma das formas de linguagem para apresentar o seu trabalho acadêmico, as histórias em quadrinhos. Eu fui convidado por ele e seu orientador, o professor Paulo Sgarbi, para realizar os quadrinhos a partir das narrativas a serem incluídas e analisadas na dissertação.

 

            Para iniciar essa experiência, precisei fazer um mergulho nos textos da dissertação para, depois, criar desenhos para compor o trabalho acadêmico. Fiz a leitura de parte dos textos que pretendia transformar em desenhos, mas, como a dissertação estava ainda em processo de criação, precisei me envolver mais com o trabalho do professor Fernando enquanto ele produzia novos textos simultaneamente.

            As narrativas e entrevistas contidas na dissertação eram repletas de imagens e descrições de situações do cotidiano escolar, facilitando a minha tarefa de construir as histórias em quadrinhos.

            O mestrando me deu a pista (Ginzburg, 1989 p. 150) sobre como pretendia que fosse o resultado do trabalho sugerindo que os desenhos poderiam ser apenas esboços, pois o mais importante para ele seria mostrar uma idéia geral das situações narradas e não retratar fielmente as pessoas envolvidas.

            Esse trabalho conjunto gerou para mim uma oportunidade de aprendizado sobre as práticas esportivas na escola. Fernando, durante a elaboração do trabalho, me explicou detalhes que não conhecia do vôlei, sua especialidade, me mostrou fotos e vídeos sobre o assunto. Passei a entender um pouco das dificuldades enfrentadas por professores de educação física e seus alunos no cotidiano escolar.

            Fernando mostrou interesse pelas minhas maneiras de fazer (Certeau, 1994, p. 35) os desenhos e, apenas com a sua observação, começou a esboçar seus próprios desenhos e depois passou a criar os layouts[2] para que eu pudesse desenhar posteriormente, o que demonstra um processo de aprendizado do desenho e do planejamento de histórias em quadrinhos realizado pelo mestrando.

            Trazendo um pouco dessa experiência acadêmica para minhas práticas de ensino na escola, gostaria de proporcionar aos meus alunos oportunidades de aprendizado como essa que foi possível para nós dois em função do interesse mútuo e da necessidade de dar forma ao trabalho acadêmico em tempo predeterminado. O desafio que enfrento cotidianamente na escola é tornar as minhas aulas atrativas para os alunos a ponto de gerar o envolvimento deles no processo educativo. Para isso, tenho recorrido às linguagens desenhadas[3] para ensinar.

 

Referências Bibliográficas:

 

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano – artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

             

GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas e sinais. São Paulo, Companhia das Letras, 1989.



[1] André Brown é Cartunista, Mestre em Educação e membro do grupo de pesquisa Linguagens desenhadas e educação, coordenado pelo prof. dr. Paulo Sgarbi, ligado ao ProPEd / UERJ.

[2] A linguagem do layout, na produção de histórias em quadrinhos, engloba desenhos rápidos, planejamentos de espaços, utilização de letras e balões para organizar a página que será, posteriormente, arte-finalizada.

[3] Considero como linguagens desenhadas as histórias em quadrinhos, as ilustrações, caricaturas, charges, cartuns, desenhos animados, mangás e outras formas artísticas ou comunicacionais que utilizem o desenho..



Escrito por André Brown às 17h53
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Versão Mangá da Turma da Mônica

André Brown

A Turma da Mônica está ganhando uma nova versão em estilo Mangá, desta vez para atingir o público adolescente. A turminha em sua forma original já agradava a um público amplo, que como eu, diverte-se com os gibis da Mônica desde o início da década de 70. Quem foi leitor, na infância, da Turma da Mônica não resiste à leitura dos gibis mesmo que esteja, supostamente, comprando as revistinhas para os filhos. Tenho acompanhado as mudanças na criação e produção das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, a diversificação de desenhos, artes finais, colorização, formatos inovadores como o Gibizão e o Gibizinho.

Gostei do resultado da Turma da Mônica na Linguagem do Mangá, mesmo não parecendo ter ocorrido uma mudança muito radical no visual da Turma. Acredito que isso aconteça porque talvez já existisse uma influência do Mangá no trabalho do Maurício de Sousa, ele já estava antenado nisso há muito tempo, até mesmo pela sua amizade com o criador do mangá moderno Osamu Tezuka. Penso apenas que a tradicional turma no formato infantil não deva deixar de existir, caminhando junto com essa nova experiência da Turma da Mônica.

 



Escrito por André Brown às 21h04
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Estive hoje com o Dr. Eraldo Bulhões, Diretor de Comunicação do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SINMED-RJ), participando do Fórum Internacional Novos Paradigmas para a Integração Latino-Americana, evento de solidariedade a Cuba realizado na UFRJ. No evento fizemos uma manifestação de divulgação sobre a DENGUE, focando o ciclo da doença e seu tratamento. Aproveitamos a ocasião para levar ao público a criação do personagem LAJÊNIO idealizado pelo Dr. Bulhões e por mim desenhado.

Lajênio é o gênio das lajes, capaz de identificar os macro-focos da dengue, principalmente aqueles que se encontram sobre as lajes das habitações inacabadas, muito comuns nas comunidades do Rio de Janeiro. Estamos produzindo com esse personagem uma cartilha para difundir as informações sobre a ENDEMIA DE DENGUE que não são veiculadas pela mídia convencional.

Capa da Cartilha contra a Dengue

A nossa intenção com esse trabalho é ajudar a evitar o possível agravamento da endemia em 2009, com a chegada do vírus da Dengue 4.

 

 



Escrito por André Brown às 16h12
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Recebi a informação abaixo através de impresso entregue por membros da ACIT-Associação de Comércio e Indústria da Tijuca, Conselho gestor do Andaraí,Hospital Gaffrée e Guinle, Conselho de Saúde P22 e Região Administrativa da Tijuca.

(André Brown)

Convidamos esta instituição e suas lideranças para participar do ato

UNIÃO CONTRA A DENGUE

Com a presença do Ministro da Saúde José Gomes Temporão,
do Secretário de Estado de Saúde e Defesa Civil,
Sergio Cortes e os Secretários de Saúde Municipais das Regiões Metropolitanas.

 
Dia 04 de abril de 2008 - Sexta-Feira.
Horário: 14:00h às 18:00h
Local Teatro Odylo Costa Filho - UERJ.

A grave epidemia de dengue torna necessário uma urgente articulação entre o governo federal, o estadual, os municipais e a Sociedade Civil para enfrentar esta situação emergencial no Rio de Janeiro.
Nossos contatos para confirmação de participação e informações:
Claudia Beatriz Le Cocq (21) 9604-1385 / 9141-6418 / 3985-7505
claudia.lecocq@nerj.rj.saude.gov.br
simionesilva (61) 9223-6299 simione.silva@saude.gov.br

Será entregue para todas as instituições presentes neste encontro amplo material informativo para as mobilizações nas suas áreas.



Escrito por André Brown às 21h08
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Em tempos de epidemia de DENGUE, estou divulgando o sério trabalho do Dr. Eraldo Bulhões, diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, que luta por uma Sociedade Sanitária capaz de enfrentar o descaso das autoridades com a saúde da população. A informação é o melhor remédio contra a dengue e o crime sanitário. FEBRE = HEMOGRAMA! (André Brown)

Tirinha criada na Oficina de Desenho André Brown para a campanha contra a DENGUE e divulgada pelo Jornal Bem Forte com o apoio da Casa Cruz. Toda a sociedade deve se unir para combater a epidemia de DENGUE, focando na divulgação das informações corretas quanto ao tratamento da doença.


QUE VIVA A SOCIEDADE SANITÁRIA!
 
Se a Vigilância Sanitária está adormecida não sabemos, mas somente a
 vigilância sanitária não adianta. Carecemos de uma consciência geral:
 uma sociedade sanitária. Consciência essa que já vem crescendo em
 relação ao tabagismo, alcoolismo, a poluição, dengue, febre amarela,
 as doenças infecciosas, drogas etc.
 
Um dia "D" da dengue é insuficiente. No último que foi realizado um
 fato marcante foi a iniciativa do poder público em providenciar a
 retirada das carcaças de automóveis da Avenida Presidente Vargas, no
 Rio de Janeiro, e acabar com os macro-focos de Aedes aegypti nos
 ferros-velhos. Ficamos 60 anos sem o mosquito desde que o sanitarista
 Oswaldo Cruz acabou com os grandes focos existentes nas mini-caixas
 d'água (vasos de flores) dos cemitérios pondo areia nos recipientes.
 Naquela época, a população carente morava em barracões de zinco e
 neles as águas das chuvas não se acumulavam. Na década de 60, com as
 construções de alvenaria, a infestação recrudesceu em grande escala,
 principalmente pelo aumento da população e a aglomeração nas precárias
 habitações que acumulam as águas das chuvas em suas concavidades.
 O que o Aedes quer? Sangue humano, porque precisa de proteína humana
 para amadurecer o embrião do mosquito que contém o vírus.
 Os ovos ficam mais de 300 dias em local seco com o embrião aguardando
 as águas para eclodir numa temperatura de mais de 40º C. O mosquito
 não põe o ovo dentro da água, põe-no em local seco. Faz isso na caixa
 d'água, onde se forma um anel acima do nível da água, e nas lajes,
 local que habitualmente acumula água, formando até uma mancha
 esverdeada (limo). Esse ambiente reduz o ciclo biológico do
 transmissor da dengue de 12 para 8 dias.
 O Aedes quer água e sangue. A degradação das carcaças de automóveis,
 cujos assentos ficam impregnados com o odor dos seres humanos, atrai
 os mosquitos. Também as lajes, onde há objetos de todos os tipos e que
 acumulam água, são verdadeiros quintais abandonados que propiciam a
 proliferação de mosquitos. É necessário oferecer à população uma força
 tarefa para ajudar a retirar os entulhos, latas, latões e objetos que
 acumulam água nas lajes das habitações inacabadas.
 Quando teremos uma política para financiar a melhoria das 700 mil
 construções de alvenaria, lajes e habitações inacabadas no Rio de
 Janeiro? Isso poderia ser feito através de recursos do BNDES, com a
 implantação de captação de energia solar e com a economia propiciada
 de 30% dos custos da energia (água quente) e com a redução dos
 "gatos", na medida em que haja a regularização das instalações
 elétricas (Light). Também ajudaria utilizar o reservatório da água das
 chuvas para o uso de jardinagem e limpeza doméstica: a ecologia
 contemporânea contra o aquecimento global.
 A saída é essa. O governo deve fazer a sua parte e retirar a
 degradação, ajudando a recuperar as habitações inacabadas sem
 criminalizar a dona de casa, vista hoje como vilã, afinal, os
 moradores já tiraram as águas dos vasos e não têm pneus dentro de
 casa.
 As autoridades assumem uma postura autoritária ao tentar vender a
 idéia de que a população precisa fazer a sua parte. É preciso entender
 que a população paga impostos há anos e que, diante desse quadro, não
 deve esperar pela vigilância sanitária, pois está provado que ela é
 insuficiente. É importante a conscientização de todos para a
 necessidade de criarmos uma sociedade sanitária, que assuma o controle
 social também da vigilância sanitária.
 
 
  Atualmente a crise da saúde chegou aos mais elevados patamares da
 Medicina no capítulo da Propedêutica Médica e dos conceitos da Saúde
 Pública no que tange à definição de ingresso do paciente no Sistema de
 Atendimento, conceituado como Porta de Entrada. O conceito de Porta de
 Entrada não é simplesmente o registro da pessoa, até aí não podemos
 dizer que o paciente ingressou no Sistema. Os fundamentos da
 Propedêutica Médica nos levam à Porta de Entrada quando estabelecido o
 registro da pessoa, a anamnese (30 minutos), o exame físico (30
 minutos), a suspeita diagnóstica, os exames complementares, o
 diagnóstico e o prognóstico. Neste momento se consolida, do ponto de
 vista do atendimento, a conceituada Porta de Entrada do paciente no
 Sistema. A população não pode só assistir a esta situação sem se
 organizar em todos os níveis, desde o controle social, e
 principalmente na conscientização de todos os cidadãos por uma
 sociedade sanitária ativa. Diante da Síndrome do Esgotamento
 Profissional estamos assistindo à morte da Porta de Entrada, da
 anamnese, do exame físico, da suspeita diagnóstica, do diagnóstico e
 do prognóstico.
 Determinadas patologias como a dengue, meningite etc., se a Porta de
 Entrada não for pelos parâmetros da Propedêutica Médica, podem ser
 fatais, no caso da dengue, num período de 10 dias. A população deve
 conhecer a fundo a crise da saúde em todo o seu contexto e se
 conscientizar da importância da vigilância através da busca da
 sociedade sanitária, no trabalho, nas escolas e na comunidade.
 No Fórum Econômico Mundial em DAVOS, na Suíça foi premiado o
 cientista que criou o Aedes transgênico para competir através do
 controle biológico e eliminar o Aedes aegypti natural em médio prazo.
 A Sociedade Sanitária deve barrar esta experiência laboratorial
 transgênica, pois não se sabe as conseqüências futuras desta
 iniciativa.
 
  Em 1981 na epidemia de Dengue em Cuba (cepa 1 e 2)
 houve 146.000 internações, 24.000 casos de dengue hemorrágico, 10.000
 casos de síndrome do choque da dengue, 158 mortes, a maioria crianças.
 Essa epidemia é semelhante ao quadro que está ocorrendo no Rio. Não
 há inverno para dengue na cidade. A situação é grave, a perspectiva é
 de ter milhares de casos que podem até passar de 200 mortes sendo dois
 terços em criança. Nestes anos temos combatidos as orientações do
 município que orientam às pessoas com sangramento a acorrerem a um
 hospital em uma doença que mata em 10 dias, sem valorizar a febre.

 

 A nossa orientação é dar ênfase à febre. E na dengue a equação é: "febre
 é igual a hemograma >Plaquetas, hematócrito, vhs no 1º e 4º dias" e
 não dar alta após a febre, no que chamamos a curva da morte .Plaquetas
 abaixo de 50.000 hidratação venosa.
 Os meios de comunicação são vítimas da orientação
 oficial, e desconhecem que o mosquito não põe ovos em água parada
 mas em local seco, pois precisa de calor para a eclosão dos ovos onde,
 em seguida, o embrião cai na água. Isto faz grande diferença porque
 em uma laje os ovos são depositados nos locais aonde já teve água
 (mancha esverdeada) e fica aguardando por até 300 dias pelas chuvas.
 A miopia epidemiológica não enxerga esta situação e os macros focos
 continuam com milhões de ovos nas habitações inacabadas.
 
  Temos que fazer o PAC da dengue reformando as
 habitações inacabadas, verdadeiras mansardas do Aedes aegypti.
 
 
 
Rio de janeiro, 20 de fevereiro de 2008
 
 
Dr.Eraldo Bulhões Martins médico - clinico geral

Diretor do SinMed/RJ

ebulhoes01@ibest.com.br

 



Escrito por André Brown às 23h57
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