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Cartum Faz Escola
 



Em tempos de epidemia de DENGUE, estou divulgando o sério trabalho do Dr. Eraldo Bulhões, diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, que luta por uma Sociedade Sanitária capaz de enfrentar o descaso das autoridades com a saúde da população. A informação é o melhor remédio contra a dengue e o crime sanitário. FEBRE = HEMOGRAMA! (André Brown)

Tirinha criada na Oficina de Desenho André Brown para a campanha contra a DENGUE e divulgada pelo Jornal Bem Forte com o apoio da Casa Cruz. Toda a sociedade deve se unir para combater a epidemia de DENGUE, focando na divulgação das informações corretas quanto ao tratamento da doença.


QUE VIVA A SOCIEDADE SANITÁRIA!
 
Se a Vigilância Sanitária está adormecida não sabemos, mas somente a
 vigilância sanitária não adianta. Carecemos de uma consciência geral:
 uma sociedade sanitária. Consciência essa que já vem crescendo em
 relação ao tabagismo, alcoolismo, a poluição, dengue, febre amarela,
 as doenças infecciosas, drogas etc.
 
Um dia "D" da dengue é insuficiente. No último que foi realizado um
 fato marcante foi a iniciativa do poder público em providenciar a
 retirada das carcaças de automóveis da Avenida Presidente Vargas, no
 Rio de Janeiro, e acabar com os macro-focos de Aedes aegypti nos
 ferros-velhos. Ficamos 60 anos sem o mosquito desde que o sanitarista
 Oswaldo Cruz acabou com os grandes focos existentes nas mini-caixas
 d'água (vasos de flores) dos cemitérios pondo areia nos recipientes.
 Naquela época, a população carente morava em barracões de zinco e
 neles as águas das chuvas não se acumulavam. Na década de 60, com as
 construções de alvenaria, a infestação recrudesceu em grande escala,
 principalmente pelo aumento da população e a aglomeração nas precárias
 habitações que acumulam as águas das chuvas em suas concavidades.
 O que o Aedes quer? Sangue humano, porque precisa de proteína humana
 para amadurecer o embrião do mosquito que contém o vírus.
 Os ovos ficam mais de 300 dias em local seco com o embrião aguardando
 as águas para eclodir numa temperatura de mais de 40º C. O mosquito
 não põe o ovo dentro da água, põe-no em local seco. Faz isso na caixa
 d'água, onde se forma um anel acima do nível da água, e nas lajes,
 local que habitualmente acumula água, formando até uma mancha
 esverdeada (limo). Esse ambiente reduz o ciclo biológico do
 transmissor da dengue de 12 para 8 dias.
 O Aedes quer água e sangue. A degradação das carcaças de automóveis,
 cujos assentos ficam impregnados com o odor dos seres humanos, atrai
 os mosquitos. Também as lajes, onde há objetos de todos os tipos e que
 acumulam água, são verdadeiros quintais abandonados que propiciam a
 proliferação de mosquitos. É necessário oferecer à população uma força
 tarefa para ajudar a retirar os entulhos, latas, latões e objetos que
 acumulam água nas lajes das habitações inacabadas.
 Quando teremos uma política para financiar a melhoria das 700 mil
 construções de alvenaria, lajes e habitações inacabadas no Rio de
 Janeiro? Isso poderia ser feito através de recursos do BNDES, com a
 implantação de captação de energia solar e com a economia propiciada
 de 30% dos custos da energia (água quente) e com a redução dos
 "gatos", na medida em que haja a regularização das instalações
 elétricas (Light). Também ajudaria utilizar o reservatório da água das
 chuvas para o uso de jardinagem e limpeza doméstica: a ecologia
 contemporânea contra o aquecimento global.
 A saída é essa. O governo deve fazer a sua parte e retirar a
 degradação, ajudando a recuperar as habitações inacabadas sem
 criminalizar a dona de casa, vista hoje como vilã, afinal, os
 moradores já tiraram as águas dos vasos e não têm pneus dentro de
 casa.
 As autoridades assumem uma postura autoritária ao tentar vender a
 idéia de que a população precisa fazer a sua parte. É preciso entender
 que a população paga impostos há anos e que, diante desse quadro, não
 deve esperar pela vigilância sanitária, pois está provado que ela é
 insuficiente. É importante a conscientização de todos para a
 necessidade de criarmos uma sociedade sanitária, que assuma o controle
 social também da vigilância sanitária.
 
 
  Atualmente a crise da saúde chegou aos mais elevados patamares da
 Medicina no capítulo da Propedêutica Médica e dos conceitos da Saúde
 Pública no que tange à definição de ingresso do paciente no Sistema de
 Atendimento, conceituado como Porta de Entrada. O conceito de Porta de
 Entrada não é simplesmente o registro da pessoa, até aí não podemos
 dizer que o paciente ingressou no Sistema. Os fundamentos da
 Propedêutica Médica nos levam à Porta de Entrada quando estabelecido o
 registro da pessoa, a anamnese (30 minutos), o exame físico (30
 minutos), a suspeita diagnóstica, os exames complementares, o
 diagnóstico e o prognóstico. Neste momento se consolida, do ponto de
 vista do atendimento, a conceituada Porta de Entrada do paciente no
 Sistema. A população não pode só assistir a esta situação sem se
 organizar em todos os níveis, desde o controle social, e
 principalmente na conscientização de todos os cidadãos por uma
 sociedade sanitária ativa. Diante da Síndrome do Esgotamento
 Profissional estamos assistindo à morte da Porta de Entrada, da
 anamnese, do exame físico, da suspeita diagnóstica, do diagnóstico e
 do prognóstico.
 Determinadas patologias como a dengue, meningite etc., se a Porta de
 Entrada não for pelos parâmetros da Propedêutica Médica, podem ser
 fatais, no caso da dengue, num período de 10 dias. A população deve
 conhecer a fundo a crise da saúde em todo o seu contexto e se
 conscientizar da importância da vigilância através da busca da
 sociedade sanitária, no trabalho, nas escolas e na comunidade.
 No Fórum Econômico Mundial em DAVOS, na Suíça foi premiado o
 cientista que criou o Aedes transgênico para competir através do
 controle biológico e eliminar o Aedes aegypti natural em médio prazo.
 A Sociedade Sanitária deve barrar esta experiência laboratorial
 transgênica, pois não se sabe as conseqüências futuras desta
 iniciativa.
 
  Em 1981 na epidemia de Dengue em Cuba (cepa 1 e 2)
 houve 146.000 internações, 24.000 casos de dengue hemorrágico, 10.000
 casos de síndrome do choque da dengue, 158 mortes, a maioria crianças.
 Essa epidemia é semelhante ao quadro que está ocorrendo no Rio. Não
 há inverno para dengue na cidade. A situação é grave, a perspectiva é
 de ter milhares de casos que podem até passar de 200 mortes sendo dois
 terços em criança. Nestes anos temos combatidos as orientações do
 município que orientam às pessoas com sangramento a acorrerem a um
 hospital em uma doença que mata em 10 dias, sem valorizar a febre.

 

 A nossa orientação é dar ênfase à febre. E na dengue a equação é: "febre
 é igual a hemograma >Plaquetas, hematócrito, vhs no 1º e 4º dias" e
 não dar alta após a febre, no que chamamos a curva da morte .Plaquetas
 abaixo de 50.000 hidratação venosa.
 Os meios de comunicação são vítimas da orientação
 oficial, e desconhecem que o mosquito não põe ovos em água parada
 mas em local seco, pois precisa de calor para a eclosão dos ovos onde,
 em seguida, o embrião cai na água. Isto faz grande diferença porque
 em uma laje os ovos são depositados nos locais aonde já teve água
 (mancha esverdeada) e fica aguardando por até 300 dias pelas chuvas.
 A miopia epidemiológica não enxerga esta situação e os macros focos
 continuam com milhões de ovos nas habitações inacabadas.
 
  Temos que fazer o PAC da dengue reformando as
 habitações inacabadas, verdadeiras mansardas do Aedes aegypti.
 
 
 
Rio de janeiro, 20 de fevereiro de 2008
 
 
Dr.Eraldo Bulhões Martins médico - clinico geral

Diretor do SinMed/RJ

ebulhoes01@ibest.com.br

 



Escrito por André Brown às 23h57
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