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100% DE APROVAÇÂO NO T.H.E UFRJ 

Mais uma vez a Oficina de Desenho André Brown preparou seus alunos para o Teste de Habilidade Específica do Vestibular para a UFRJ e obteve aprovação total.  Com uma turma especial sob a orientação da Prof. ª Alessandra Nogueira, foi possível conquistar a marca de 100% de aprovação no vestibular .

 

TESTE DE HABILIDADE ESPECÍFICA NO VESTIBULAR: É HORA DE DESENHAR

 

O Teste de Habilidade Específica (THE) é uma avaliação que pode reprovar e impedir que os candidatos ingressem nas carreiras escolhidas nos vestibulares da UFRJ, UFF, UNIRIO e PUC-RJ, nas áreas de Arquitetura, Desenho Industrial / Programação Visual (Design), Belas Artes, Cenografia, Licenciaturas em Arte ou Desenho.

 

 

A Designer Alessandra Nogueira (ESDI-UERJ) orientando seus alunos na Oficina de Desenho.

 

 

Um bom caminho para os candidatos é começar, o quanto antes, a prática de desenho e a resolução de questões de provas dos anos anteriores, nos cursos  que oferecem o preparatório para os Testes de Habilidade Específica. Começar logo o preparatório para o THE é  desejável para aqueles que pretendem ingressar nas carreiras que usam o desenho como linguagem, porque a avaliação no vestibular envolve conhecimentos teóricos e práticos. A solução e execução de desenhos durante a realização do teste requer destreza dos candidatos nos usos dos materiais e técnicas. A Oficina de Desenho André Brown & Alessandra Nogueira, por exemplo, tem a experiência de mais de uma década preparando e aprovando praticamente 100% de seus alunos nos vestibulares (THE).

Mais informações sobre a Oficina de Desenho e o curso preparatório para os THE:

 

http://habilidade-especifica.blogspot.com/

 

e-mail: oficinadedesenho@uol.com.br

 

tel: (21) 7635-3281 ou (21) 7611-9006

Turma com vagas limitadas.

Garanta a sua vaga, MATRÍCULE-SE JÁ!

INÍCIO DAS AULAS EM ABRIL DE 2012.



Escrito por André Brown às 16h56
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A cinestética nas histórias em quadrinhos de Will Eisner

André Brown

Fazendo um exercício de metalinguagem, usando os próprios quadrinhos para falar de algumas maneiras de fazer (CERTEAU, 1994) e entender a linguagem dos quadrinhos, McCloud (1995) fala da busca realizada por artistas como Kandinsky pelo que chamou de “cinestética, uma arte que de algum modo pudesse unir os sentidos” (p. 123). Pensando dessa forma, lembro de várias histórias em quadrinhos – HQs – cujos autores conseguiram criar, com seus textos e imagens, um mergulho em outros ambientes, épocas, atmosferas e dimensões psicológicas. Um artista dos quadrinhos que conseguiu fazer isso com perícia foi Will Eisner, buscando, também, entender os elementos da linguagem das HQs, estudo que resultou em dois livros que nos mostram as técnicas desenvolvidas pelo artista e sua percepção dos usos dos quadrinhos como veículo de comunicação e tecnologia educacional.


Nas HQs, as imagens, juntamente com os textos, compõem as narrativas gráficas, a estética, o estilo e as características dos personagens da história. Para que isso ocorresse com clareza, tentando minimizar qualquer ruído de comunicação, elementos foram criados, estruturando uma linguagem específica. Alguns desses elementos da linguagem são os balões, os próprios quadrinhos que, tecnicamente, são chamados de requadros; a sarjeta, que é o espaçamento entre dois quadrinhos; os desenhos; os textos; a arte seqüencial, que determina a ação; as onomatopéias; as personagens, que, com suas expressões faciais e gestos exagerados, sinalizam a relação dos quadrinhos com a linguagem do teatro; e ainda os usos de planos, que aproximam as HQs da linguagem do cinema.

Em 2002, assisti à peça resultante da transposição de linguagem dos quadrinhos para a do teatro realizada pela Armazém Companhia de Teatro, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, Pessoas invisíveis, baseado em parte da obra de Will Eisner. Pude perceber que a caracterização de personagens, o cenário a essência dos quadrinhos de Eisner estavam presentes na peça ainda que outros elementos típicos do teatro proporcionassem uma experiência estética diferente. Na ocasião, o diretor da peça, Paulo de Moraes, após a apresentação, conversou com o público composto, em sua maior parte de leitores dos quadrinhos, sobre as dificuldades de fazer essa transposição.

Tratando da linguagem e dos processos de criação, construindo um diagrama na tentativa de mostrar a complexidade que envolve a elaboração de uma HQ, Eisner (2001) aponta para conhecimentos supostamente necessários para executar essa tarefa quando diz que

o sucesso ou o fracasso desse método de comunicação depende da facilidade com que o leitor reconhece o significado e o impacto emocional da imagem. Portanto, a competência da representação e a universalidade da forma escolhida são cruciais. O estilo e a adequação da técnica são acessórios da imagem e do que ela está tentando dizer. Na verdade, até um pedagogo se surpreenderia com a diversidade de disciplinas envolvidas na realização de uma história em quadrinhos média. Vale a pena correr o risco da simplificação excessiva e tentar fazer um diagrama dessas disciplinas para reforçar essa afirmação. (p. 144)

Outro elemento que percebo na cinestética dos quadrinhos de Eisner é a maneira como representa a figura humana, em um sistema de proporções que foge da rigidez dos cânones, em alguns casos beirando a caricatura. Panofsky (1991) diz que “a história da teoria das proporções é o reflexo da história dos estilos” (p. 90), ou seja, não há uma só estética para a representação da anatomia humana, cada período artístico ou artista individualmente pode aderir a um sistema de proporções. Intencionalmente, nas HQs de Will Eisner, cada personagem tem sua própria anatomia expressiva. Criando estereótipos, o artista brincou com a estilização da anatomia humana, passeando entre os sistemas de proporção conhecidos, representando movimentos, expressões fisionômicas para dar sentido, impacto e outras impressões às narrativas. Segundo Eisner (2005),

nos quadrinhos, os estereótipos são desenhados a partir de características físicas comumente aceitas e associadas a uma ocupação. Eles se tornam ícones e são usados como parte da linguagem na narrativa gráfica. (p. 22)


 Além da anatomia expressiva, outro elemento dos quadrinhos cinestéticos de Eisner é a recorrente representação da estética urbana da velha Nova Iorque, arquitetura, ruas, becos, cenários das histórias em quadrinhos que expressam parte da memória do artista, que nasceu e viveu naquela cidade. Com seus enquadramentos, criando imagens por meio das linguagens desenhadas, mas como se estivesse fazendo uso de uma câmera, o autor, com sua arte, conseguiu fazer-nos aproximar a experiência estética durante a leitura dos quadrinhos com a fruição do cinema. Mesmo assim Eisner (2005) percebeu que existem limitações entre as duas linguagens e escreveu que

apesar de parecer haver um relacionamento mais evidente entre quadrinhos e cinema, existe uma diferença básica e fundamental. Ambos lidam com palavras e imagens. O cinema reforça isso com som e a ilusão do movimento real. Os quadrinhos precisam fazer uma alusão a tudo isso a partir de uma plataforma estática impressa. O cinema usa a fotografia e uma tecnologia sofisticada a fim de transmitir imagens realistas. Mais uma vez os quadrinhos estão limitados à impressão. O cinema pretende transmitir uma experiência real, enquanto os quadrinhos narram. (p.75)

A obra quadrinizada de Will Eisner faz o leitor entrar na história e se imaginar caminhando pelas ruas nova-iorquinas, sentindo os cheiros, a temperatura, encontrando personagens, na maior parte das vezes, imersas em uma iluminação que ora encobre e oportunamente revela mistérios, típicos de film noir em seus dramas criminais com detetives, gângsteres e mulheres fatais. Tudo isso e muito mais pode ser encontrado nos quadrinhos de Will Eisner, acompanhados do prazer gráfico transmitido pelo artista, associados a excelentes roteiros que nos prendem a atenção, usando recursos narrativos entrelaçando textos e imagens.

Referências bibliográficas:

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano – 1. Artes de fazer. 8. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

EISNER, Will. Narrativas gráficas de Will Eisner. São Paulo: Devir, 2005.

EISNER, Will. Quadrinhos e arte sequencial. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

McCLOUD, Scott. Desvendando os quadrinhos. São Paulo: Makron Books, 1995.

PANOFSKY, Erwin. Significado nas Artes Visuais. São Paulo: Perspectiva, 1991.

*Texto publicado originalmente em e-book.

 



Escrito por André Brown às 16h20
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